A soja voltou a ganhar força no mercado internacional nesta sexta-feira (8), encerrando a semana com forte valorização na Bolsa de Chicago. Os principais contratos futuros registraram altas superiores a 1%, refletindo um cenário de demanda aquecida nos Estados Unidos, avanço do petróleo no mercado global e expectativas positivas em torno das negociações entre os governos norte-americano e chinês.
O contrato com vencimento em julho fechou cotado a US$ 12,08 por bushel, enquanto o agosto encerrou em US$ 12,02. Os ganhos variaram entre 15,75 e 17,75 pontos nos principais vencimentos, consolidando um movimento de recuperação importante após dias marcados por intensa volatilidade.
Entre os derivados, o grão liderou os ganhos do complexo soja em Chicago, enquanto farelo e óleo terminaram o dia praticamente estáveis. O mercado encontrou sustentação principalmente na valorização do petróleo e no fortalecimento do consumo interno norte-americano.
Segundo Ronaldo Fernandes, diretor da Royal Rural, o mercado está fortemente atento ao encontro previsto entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, marcado para o próximo dia 15. A expectativa é de que a reunião possa abrir espaço para novos acordos comerciais e estimular compras chinesas de soja norte-americana.
“O mercado cria a expectativa de que a China possa comprar mais soja dos EUA. Além disso, teremos também a divulgação do relatório da NOPA, e os Estados Unidos estão consumindo soja em níveis históricos”, destacou o analista.
O relatório da NOPA, Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos EUA, é acompanhado de perto pelo mercado global por trazer dados sobre o esmagamento de soja e o ritmo de consumo da commodity no país. O forte processamento interno vem sendo considerado um dos principais pilares de sustentação dos preços acima dos US$ 12 por bushel.
Apesar do otimismo, o cenário internacional ainda inspira cautela. O mercado segue monitorando os desdobramentos geopolíticos envolvendo Estados Unidos e Irã, especialmente diante das incertezas sobre um possível acordo diplomático entre as duas nações.
Os preços do petróleo também encerraram a sexta-feira em leve alta, influenciados pelo temor de novos impasses no Oriente Médio. Investidores acompanham de perto a resposta de Teerã à proposta de paz apresentada pelo governo norte-americano, enquanto os traders avaliam o risco de um entendimento frágil e temporário entre os países.
No campo agrícola, os fundamentos seguem mistos. O plantio da nova safra norte-americana avança rapidamente e acima da média histórica, favorecido pelo clima positivo no Corn Belt. Ainda assim, previsões meteorológicas apontam temperaturas um pouco abaixo da média nos próximos dias, fator que mantém o mercado atento às possíveis consequências para o desenvolvimento das lavouras.
Com demanda firme, tensões geopolíticas e expectativas comerciais envolvendo as duas maiores economias do mundo, a soja segue no centro das atenções do mercado internacional, mantendo produtores e investidores em alerta para os próximos movimentos da commodity.











