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Mato Grosso registra mais de 7 mil mortes maternas nos últimos cinco anos

Mortes maternas chamam atenção em Mato Grosso — Foto: Pixabay

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Dados revelam que as mulheres negras são as principais vítimas da mortalidade materna no estado. Problemas vão desde a assistência médica no pré-natal até o parto nas unidades de saúde.

 

Mato Grosso registrou mais de 7.282 mortes maternas nos últimos cinco anos, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, atualizados até abril deste ano. Dessas, 598 foram mulheres negras, o que representa aproximadamente 8% do total de vítimas. As indígenas aparecem na sequência, com 179 casos no período (2,5%).

De acordo com um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) publicado em 2025 e realizado com dados epidemiológicos do Ministério da Saúde, a maioria dos casos de mortalidade materna é evitável.

Os problemas encontrados que agravam essa situação são:

  • 🤰pré-natal inadequado;
  • 🏥estrutura insuficiente nos hospitais;
  • 🩺falhas no atendimento;
  • 🏘️desigualdades regionais.

 

Mortes maternas registradas em Mato Grosso

ANO N° DE MORTES
2021 2.019
2022 1.265
2023 1.351
2024 1.299
2025 1.348

Mortes maternas por raça/cor em MT (2021 – 2025)

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RAÇA/COR N° DE MORTES (2021 e 2025)
Negras 598
Indígenas 179
Brancas/ignoradas 45
Mortes maternas chamam atenção em Mato Grosso  — Foto: Pixabay

Mortes maternas chamam atenção em Mato Grosso — Foto: Pixabay

 

No Brasil, foram mais de 375 mil mortes registradas no período, com São Paulo (78.649), Minas Gerais (35.253) e Rio de Janeiro (35.440) liderando o ranking. Já Mato Grosso, apesar dos números expressivos, variou entre a 13ª e a 17ª posição. Segundo a plataforma de monitoramento, para todas as regiões, 2021 foi o ano com mais registros, impulsionado pela pandemia de Covid-19.

Para além de uma fatalidade evitável, a mortalidade materna consiste em um importante indicador de saúde pública que reflete as condições sociais, de qualidade de vida e de acesso aos serviços de saúde”, afirmou uma das idealizadoras do estudo, professora do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT, Elyana Teixeira.

 

Para a professora Ana Paula Muraro, que também participou do estudo, as causas da mortalidade materna, que afetam principalmente mulheres negras e indígenas, estão ligadas às condições de vida, de acesso e à qualidade do cuidado.

Quando falamos de maior risco entre mulheres negras, indígenas e com menor escolaridade, estamos falando de condições de vida, acesso aos serviços, transporte, renda, informação, racismo, inserção social e qualidade do cuidado recebido. Não é uma vulnerabilidade individual, mas produzida socialmente”, explicou Muraro.

 

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O estudo também propõe uma série de medidas que podem ser adotadas para reduzir esses números. Entre as orientações estão: número suficiente de consultas durante o pré-natal e acesso oportuno aos exames, garantia de transporte adequado entre municípios, educação permanente e continuada a profissionais que atuam com essas mulheres e educação em saúde para um início da vida sexual com segurança e contracepção adequada.

“Mulheres em situação de vulnerabilidade social precisam ser acompanhadas por serviços de assistência social”, ressaltou Muraro.

Atuação do estado

 

Atualmente, Mato Grosso possui em atividade o Grupo Técnico Estadual de Vigilância do Óbito, uma equipe da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) responsável por analisar e monitorar mortes, especialmente maternas, infantis, fetais e por causas mal definidas.

Segundo a pasta, o grupo atua na qualificação das informações, identificação de fatores associados e proposição de medidas para prevenção e melhoria da assistência à saúde.

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