O Tribunal Superior Eleitoral já afirmou que o processo eleitoral ocorreu de forma segura; Trump afirmou que “não irá se envolver”
Após fugir para os Estados Unidos descumprindo determinação da Justiça, o senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou uma carta de teor golpista em que volta a questionar o resultado das eleições, em que foi derrotado nas urnas pelo presidente Lula. Em sua primeira manifestação após deixar o país acompanhado de sua família, o senador mente ao dizer que eleição sofreu fraude.
Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) já descartaram a possibilidade de anulação do segundo turno. O presidente do TSE, o ministro Nunes Marques, esclareceu que a prorrogação do horário de votação não comprometeu a apuração e manifestou confiança na integridade do processo eleitoral. Nunes Marques afirmou ter total segurança da lisura da votação e do sistema eleitoral.
Além disso, o próprio partido de Flávio reconheceu o resultado das eleições.
Na primeira versão da carta de três páginas, o senador afirmou se dirigir ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, agradecendo ao presidente argentino Javier Milei e ao presidente americano Donald Trump por “acolhê-lo”.
Flávio Bolsonaro afirmava nesta versão inicial ser o presidente eleito — o que é falso. Depois, Flávio Bolsonaro publicou nova versão da carta, em que altera “presidente” para “líder do Brasil”. No entanto, o senador continua questionando o resultado das eleições na versão publicada posteriormente.
O senador diz que “criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania”, e pede à comunidade internacional que “não normalize o que está acontecendo no Brasil”.
“Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação. Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.”
Na carta, Flávio volta a questionar a extensão do horário de votação, feito de 17h até 19h por determinação do ministro Cristiano Zanin, por conta de problemas com o transporte público e clima. No entanto, não foi apenas a coligação de Lula que pediu a extensão, mas também a campanha do próprio Flávio Bolsonaro.
Sem provas, o candidato derrotado nas urnas afirmou que se viu “estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”. Falou em “atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno”.
Flávio Bolsonaro chegando nos Estados Unidos. — Foto: RICARDO ARDUENGO/AFP
No entanto, após 17h do último domingo, menos de 35 mil votos foram registrados nas urnas até as 19h, enquanto a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no Brasil foi de 4,4 milhões.
O senador afirmou que “não fugiu do Brasil”, mas “saiu pelo Brasil”, de um “regime de exceção” para poder ser o “líder que o seu povo merece”.
“Pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.“
O pai de Flávio Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro, está preso por tentar dar um golpe de Estado no Brasil em 2022. Jair foi condenado a uma pena de 27 anos e 3 meses.
Flávio Bolsonaro é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro com o advogado Willer Tomaz, que já estava em Miami. Outra investigação apura supostos crimes no financiamento do filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal divulgou nota nesta quarta-feira (28) esclarecendo a situação do senador Flávio Bolsonaro, que deixou o país e chegou a Miami, nos Estados Unidos. A PF afirmou que o descumprimento de Flávio Bolsonaro das ordens judiciais de entrega do passaporte e a proibição de sair do território brasileiro não caracteriza que ele esteja foragido. A corporação também afirmou que não há autorização para prisão, nem vigilância permanente ou outras medidas cautelares. Como a CBN mostrou na manhã de ontem, a corporação investiga as circunstância da fuga do senador.
A PF voltou a afirmar que não há registro oficial de saída do parlamentar pelos postos de controle migratório brasileiros. No domingo, a PF representou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela adoção de medidas cautelares, incluindo a apreensão de passaportes, a proibição de saída do país e a restrição de contato com outros investigados, após identificar risco de saída do Brasil pelo senador Flávio Bolsonaro.
Trump diz que ‘não vai se envolver’
Nesta quarta-feira (28), o presidente americano Donald Trump falou sobre Flávio Bolsonaro, afirmando que não vai se envolver na questão eleitoral do Brasil.
“Nós lhe demos permissão para entrar no país, então vamos ver — mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha… Eu pensei que eles foram tratados de forma muito injusta e eu não tomei uma posição na eleição, como você sabe, mas quando eu vejo algo que é inadequado, eu levanto o assunto“, disse.
Trump já havia se manifestado anteriormente sobre o pleito brasileiro nesta segunda-feira (26), dizendo que “pareceu mais uma eleição fraudada”, mas que gosta de Lula.
Brasão da República Velha
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Flávio Flávio usa Brasão da República, com ‘Estados Unidos do Brazil’ escrito, em carta em que se autoproclama presidente — Foto: RICARDO ARDUENGO/AFP; Reprodução
Na primeira versão da carta, Flávio Bolsonaro utilizava o antigo brasão da República Federativa do Brasil, com a data da proclamação da República Velha, em 15 de novembro de1889.
No entanto, diferente do antigo brasão, que carrega o escrito “República Federativa do Brasil”, a adaptação que era utilizada por Flávio na carta aos brasileiros trazia “Estados Unidos do Brazil”, com o nome do país escrito em inglês, com a letra “Z”.
A fuga de Flávio para os EUA
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Flávio Bolsonaro desembarca em Miami, nos Estados Unidos. — Foto: Reprodução
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Flávio Bolsonaro e familiares chegando nos Estados Unidos. — Foto: RICARDO ARDUENGO/AFP
Após ter sido derrotado nas eleições no último domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL) partiu para os Estados Unidos em uma operação secreta e aterrissou em Miami junto de sua família, na manhã desta quarta-feira (28). Flávio deixou o Brasil após descumprir uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de entregar seus passaportes à Polícia Federal.
O avião com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e familiares pousou nesta quarta-feira (28) às 10h24, no horário de Brasília, no Aeroporto Miami-Opa Locka Executive Airport, em Miami, nos Estados Unidos, segundo informações do Flight Radar. O jatinho da empresa Baires Fly saiu diretamente de Iguazú, na Argentina, e fez uma parada em Guayaquil, no Equador.
O governo argentino confirmou de madrugada que o parlamentar entrou no país nessa terça à noite (27), por via terrestre, acompanhado da mulher e das duas filhas. Ele chegou a ser o voo mais acompanhado no mundo no site, com mais de 65 mil pessoas.
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Declaração de voo mostra que Flávio Bolsonaro voou da Argentina com passaporte italiano. — Foto: Reprodução
Segundo a Direção Nacional de Migrações, a família atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, às dez e cinquenta da noite.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio e os familiares apresentaram documentação válida para a viagem e não tinham nenhum impedimento legal para entrar no país.
Flávio Bolsonaro e a família iniciaram os procedimentos para deixar a Argentina às onze e meia da noite de terça-feira. Segundo as autoridades migratórias, o grupo embarcou num avião particular no aeroporto de Puerto Iguazú.
A aeronave tinha como destino declarado a cidade de Guayaquil, no Equador, onde faria uma escala para reabastecimento, antes de seguir para Miami. O avião que transportava Flávio Bolsonaro e familiares teria oito passageiros a bordo, segundo o portal argentino Infobae.
O parlamentar fugiu do Brasil depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar a entrega dos passaportes e proibir a saída dele do país.
Flávio Bolsonaro decidiu deixar o país dois dias depois de receber quase 60 milhões de votos – e perder a eleição para Lula. O governo Donald Trump confirmou que vai conceder vistos de permanência para Flávio e a família.











