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Venezuela acusa EUA de ‘extorsão’ na ONU; Rússia e China apoiam e criticam ‘intimidação’ e ‘comportamento de caubói’

Estados Unidos mantêm cerco naval à Venezuela

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Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu nesta terça-feira (24) para debater as queixas do governo venezuelano sobre a pressão crescente de Washington.

 

Venezuela acusou os Estados Unidos de estar submetendo o país à “maior extorsão” de sua história, em declaração dada na ONU nesta terça-feira (23).

A fala foi do embaixador do governo de Nicolás Maduro nas Nações Unidas, Samuel Moncada, que apresentou as queixas do país em relação à pressão exercida pelo governo americano ao Conselho de Segurança, que se reuniu para debater o tema.

“Estamos diante de uma potência que atua à margem do direito internacional, exigindo que nós venezuelanos abandonemos nosso país e o entreguemos […] Trata-se da maior extorsão de que se tem notícia em nossa história”, afirmou.

 

O governo de Nicolás Maduro descreveu a ação como um grave ato de pirataria internacional e garantiu em um comunicado: “Esses atos não ficarão impunes”.

Samuel Reinaldo Moncada Acosta, representante permanente da Venezuela junto às Nações Unidas — Foto: REUTERS/Eduardo Munoz

Samuel Reinaldo Moncada Acosta, representante permanente da Venezuela junto às Nações Unidas — Foto: REUTERS/Eduardo Munoz

Na reunião do conselho nesta terça, Rússia e China, que vem demonstrando apoio constante a Maduro em meio à pressão americana, reafirmaram suas críticas a Washington.

“A China se opõe a todos os atos de unilateralismo e intimidação, e apoia todos os países na defesa da sua soberania e da dignidade nacional”, declarou o representante chinês, Sun Lei.

 

O governo russo, que há uma semana afirmou que as “tensões na Venezuela podem ter consequências imprevisíveis para o Ocidente”, descreveu a pressão feita pelo governo Trump como “comportamento de caubói”.

“Os atos cometidos pelos Estados Unidos violam todas as normas fundamentais do direito internacional. A responsabilidade de Washington também se evidencia nas consequências catastróficas dessa atitude de caubói”, apontou o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, que descreveu o bloqueio como “uma agressão flagrante”.

 

EUA falou em sanções para tirar Maduro do poder

 

Os Estados Unidos informaram ao Conselho de Segurança da ONU, nesta terça-feira , que imporão e farão cumprir sanções contra a Venezuela e seu presidente, Nicolás Maduro, na máxima extensão permitida.

Segundo o embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, o objetivo de Washington é privar o governo venezuelano de recursos financeiros, vindos do lucro do petróleo, que estariam permitindo que Maduro siga em sua “apropriação fraudulenta do poder e suas atividades narcoterrorismo”.

“A capacidade de Maduro de vender o petróleo da Venezuela permite sua reivindicação fraudulenta de poder e suas atividades narcoterroristas. O povo da Venezuela, francamente, merece algo melhor, afirmou.

 

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O embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Mike Waltz — Foto: REUTERS/Eduardo Munoz

O embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Mike Waltz — Foto: REUTERS/Eduardo Munoz

A sessão do Conselho de Segurança desta terça tinha como objetivo debater as queixas feitas pela Venezuela à ONU sobre os ataques que os EUA vêm realizando no Caribe, além do cerco ao país anunciado pelo presidente dos Estados UnidosDonald Trump, que tem levado à apreensão de petroleiros.

Parlamentares da Venezuela aprovaram lei contra ações dos EUA

 

A proposta, nomeada como projeto “Para Garantir a Liberdade de Navegação e Comércio contra a Pirataria, Bloqueios e Outros Atos Ilícitos Internacionais”, foi votada na Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pelo partido do governo Nicolás Maduro, e aprovada por unanimidade.

Agora, ela será encaminhada ao Executivo para aprovação e entrará em vigor assim que for publicada no Diário Oficial.

A lei, que inclui “outros crimes internacionais”, surge em meio às operações realizadas pelos Estados Unidos contra carregamentos de petróleo venezuelano.

No dia 10 deste mês, o governo americano apreendeu o primeiro petroleiro. A segunda interceptação confirmada por Washington ocorreu no dia 20, dias depois do presidente Donald Trump anunciar um bloqueio total a embarcações que estivessem saindo de portos da Venezuela.

Nas duas ocasiões, o governo venezuelano acusou os EUA de “pirataria”. Na segunda, afirmou que vai tomar “todas as medidas cabíveis”, incluindo buscar o Conselho de Segurança da ONU para prestar uma queixa.

Durante a sessão desta terça, o presidente da Assembleia, Jorge Rodríguez, que é aliado de Maduro, também fez duras críticas à oposição. Acusou María Corina Machado e seus aliados, que vem dando declarações de apoio às ações do governo Trump, de promover sanções contra a Venezuela e disse:

“Eles roubaram, saquearam e se curvaram ao imperialismo americano. Estão satisfeitos com as ações agressivas que estão ocorrendo atualmente no Mar do Caribe”.

 

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela , Jorge Rodríguez — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela , Jorge Rodríguez — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

Troca de farpas entre Trump e Maduro

 

Trump, que anunciou uma nova classe de navios de guerra batizada em homenagem a ele mesmo em um evento na Casa Branca, disse que a coisa “mais inteligente” que o venezuelano poderia fazer é renunciar. Questionado se seu governo quer tirar Maduro do poder, afirmou:

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“Isso depende dele, do que ele queira fazer. Acho que seria inteligente de sua parte fazer isso [renunciar]. Se ele quiser bancar o durão, será a última vez”.

 

Já Maduro, durante uma feira de produtores venezuelanos, alfinetou o presidente americano e disse que ele “estaria melhor” se focasse mais em seu país, e não na Venezuela.

“Penso que o presidente Trump poderia fazer melhor em seu país e no mundo. Ele estaria melhor no mundo se focasse nos problemas do seu próprio país. Não é possível que 70% dos seus discursos e declarações sejam [sobre] a Venezuela. E os Estados Unidos?”, questionou ele.

 

Maduro e Trump em fotos de arquivo — Foto: Reuters

Maduro e Trump em fotos de arquivo — Foto: Reuters

A declaração de Trump ocorreu horas depois de sua secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmar que Maduro “tem que sair” do poder em uma entrevista à emissora americana Fox News.

Ao ser questionada sobre os petroleiros vindos do país que vem sendo interceptados pelos EUA, Noem afirmou:

“Não estamos apenas interceptando navios, mas também enviando uma mensagem ao mundo de que a atividade ilegal da qual Maduro participa não pode ser tolerada; ele tem que sair”.

 

Kristi Noem, secretária de Segurança Interna dos EUA — Foto: Reprodução

Kristi Noem, secretária de Segurança Interna dos EUA — Foto: Reprodução

Oficialmente, o governo Trump nunca confirmou que sua ofensiva militar na Venezuela tenha como objetivo uma mudança de regime. Desde agosto, quando começou a ofensiva militar no Caribe, o presidente Donald Trump e seus aliados afirmam que o foco é o combate ao narcotráfico e à entrada de drogas em território americano.

Ainda nesta segunda, as operações americanas foram alvo de críticas da Rússia e da China.

O governo chinês afirmou que a “apreensão arbitrária” de navios de outros países pelos Estados Unidos constitui uma grave violação do direito internacional. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, o país se opõe a todas as “sanções unilaterais e ilegais” dos EUA.

As Forças Armadas dos Estados Unidos também já realizaram uma série de ataques contra embarcações que supostamente eram usadas para o tráfico de drogas no Mar do Caribe e no Pacífico oriental. Destruíram cerca de 30 embarcações, e pelo menos 104 pessoas morreram nos ataques.

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