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Paquistão e Afeganistão entram em confronto intenso após dias de tensão na fronteira

Troca de tiros entre forças do Paquistão e Afeganistão — Foto: Reuters

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Governos dos dois países afirmaram que conseguiram eliminar soldados de tropas adversárias. Confronto desta quinta-feira (26) durou mais de duas horas.

 

Paquistão e Afeganistão trocaram tiros nesta quinta-feira (26), após forças afegãs lançarem ataques “retaliatórios” contra instalações paquistanesas. O episódio elevou a tensão na fronteira, após dias de hostilidades entre os dois países.

Já nas primeiras horas de sexta-feira (27), no horário local, uma forte explosão atingiu Cabul, capital do Afeganistão, segundo relatos da agência de notícias AFP. O estrondo foi ouvido após a passagem de pelo menos um caça sobre a cidade e foi seguido por sons de disparos.

▶️ Contexto: A tensão gira em torno do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), grupo que atua contra o governo paquistanês. O Paquistão afirma que militantes se escondem no Afeganistão e organizam ataques a partir de lá. O governo afegão nega.

  • No fim de semana, o Paquistão fez bombardeios contra acampamentos de militantes do TTP e do Estado Islâmico no Afeganistão.
  • O Talibã, grupo que governa o Afeganistão, afirmou que daria uma “resposta apropriada e proporcional” aos ataques.
  • A operação afegã para retaliar os bombardeios foi feita nesta quinta-feira.

 

Segundo autoridades do Paquistão, forças afegãs abriram fogo contra postos no noroeste montanhoso do país. Tropas paquistanesas reagiram, e o confronto durou mais de duas horas.

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Vídeos divulgados por forças de segurança afegãs mostram veículos militares circulando à noite por áreas montanhosas, iluminadas por disparos. É possível ouvir rajadas contínuas de armas automáticas.

Imagens divulgadas por fontes de segurança paquistanesas parecem mostrar munições cruzando o céu sobre uma paisagem montanhosa semelhante, também com som de tiros ao fundo.

A Reuters afirmou não ter conseguido verificar de forma independente o local, o momento ou a autenticidade dos vídeos.

O Ministério da Informação do Paquistão disse, em publicação na rede social X, que o país respondeu a “disparos não provocados” feitos por forças afegãs em vários pontos da fronteira.

Segundo o governo paquistanês, as tropas deram uma “resposta imediata e eficaz”, causando baixas e destruindo diversos postos e equipamentos. O comunicado afirma ainda que o país tomará todas as medidas necessárias para proteger a integridade territorial e a população.

Enquanto isso, o porta-voz do Talibã disse que, se o Paquistão atacar Cabul ou grandes cidades, o Afeganistão vai “atingir centros-chave e cidades importantes” do país vizinho. Segundo ele, o grupo não busca ampliar o conflito, mas responderá a ataques.

Retaliação após bombardeios

 

Os confrontos ao longo da fronteira de 2.600 quilômetros são o episódio mais recente a ameaçar um cessar-fogo frágil, após choques mortais registrados em outubro do ano passado.

Em publicação na rede social X, o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou que “operações ofensivas em larga escala” foram lançadas contra posições militares paquistanesas ao longo da fronteira. Em outro comunicado, disse que “unidades especializadas com laser” atuavam durante a noite.

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  • Mujahid afirmou que cerca de 40 soldados paquistaneses morreram na província de Kunar.
  • Por outro lado, fontes de segurança do Paquistão disseram que 22 integrantes do Talibã foram mortos e que vários drones foram abatidos.
  • A Reuters não conseguiu verificar de forma independente as alegações de nenhum dos lados.

 

O porta-voz do primeiro-ministro do Paquistão, Mosharraf Zaidi, afirmou à Reuters que nenhum posto paquistanês havia sido capturado ou danificado. Segundo ele, as forças do país causaram “grandes perdas” do outro lado da fronteira em resposta ao que chamou de “agressão não provocada do Talibã”.

Qualquer agressão receberá a mesma resposta: imediata e eficaz”, disse.

 

O Paquistão informou ainda que reforçou a segurança em todo o país nesta semana. As forças foram colocadas em “alerta máximo” e operações de inteligência foram intensificadas. Dezenas de suspeitos de militância foram presos, incluindo afegãos.

ombatentes do Talibã afegão patrulham perto da fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, em outubro de 2025 — Foto: REUTERS/Stringer

ombatentes do Talibã afegão patrulham perto da fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, em outubro de 2025 — Foto: REUTERS/Stringer

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