Lista inclui os ministros Dario Durigan e Bruno Moretti e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante
Em meio à expectativa sobre a escolha do novo ministro da Fazenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem recorrido a um núcleo restrito de conselheiros para discutir os rumos da política econômica do quarto mandato.
O grupo de principais interlocutores é formado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, segundo integrantes do governo.
O trio compôs o principal núcleo de conselheiros econômicos de Lula durante a campanha eleitoral e permanece como os nomes de referências do presidente para os longos debates sobre economia. Apesar do mau humor do mercado financeiro desde a sua eleição, Lula evita sinalizar nomes para sua equipe econômica no quarto mandato. Aliados avaliam que ele só deve apontar os auxiliares a partir do fim do mês.
Durante a corrida presidencial, Durigan e Moretti participaram de rodadas de conversas com agentes do mercado e têm capitaneado o discurso do governo de que Lula terá responsabilidade com as contas públicas, buscando um ajuste fiscal gradual. Ambos também são os principais formuladores das medidas de saneamento das contas em discussão e estão cotados para permanecer no primeiro escalão no próximo mandato.
Durigan ainda está no páreo para continuar à frente da Fazenda. Sua permanência indicaria a força de Fernando Haddad no quarto mandato e a continuidade da política econômica iniciada por seu antecessor. Lula, no entanto, ainda não sinalizou o peso que Haddad terá em sua nova gestão. O ex-ministro da Fazenda segue como cotado para Casa Civil, ministério que costuma fazer contraponto à Fazenda.
Sem encontros com economistas
Porta-voz econômico de Lula, Durigan afirmou na terça-feira que o presidente não tem agenda com outros economistas, de fora do governo. A declaração foi feita após um artigo do economista André Lara Resende ser mencionado por apoiadores do governo. Segundo Durigan, Lula trata com ele de um “ajuste gradual que respeite os compromissos de campanha”.
Moretti também é apontado como favorito para seguir na Esplanada. Elogiado por Lula, já despachava diretamente com o presidente quando era secretário na Casa Civil e ocupava um cargo de segundo escalão. Depois, a confiança de Lula o levou à presidência do Conselho de Administração da Petrobras, até ser escolhido para substituir Simone Tebet no Ministério do Planejamento.
Na reta final da campanha ao segundo turno, diante da pressão das pesquisas eleitorais e do favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL), Moretti foi um dos responsáveis por formular o Prospera MEI em quatro dias, pacote de medidas com perdão de dívidas e recursos para microempreendedores individuais.
Mercadante ajudou na formulação das propostas da campanha e tirou férias durante o segundo turno para ficar mais próximo de Lula e atuar como uma espécie de consultor econômico do presidente. Ele defende uma discussão sobre governança fiscal que envolva temas como precatórios judiciais, emendas parlamentares, a condução fiscal de estados e municípios, além de questões como penduricalhos e teto salarial do setor público.
De acordo com interlocutores, Mercadante não disputa uma vaga na equipe econômica e pretende continuar contribuindo com a política industrial, que tem no BNDES um importante pilar.
Lula: sem pistas e sem pressão
O entorno de Lula para as discussões econômicas é restrito neste momento em que o presidente ainda evita dar sinais sobre a tônica econômica do próximo governo.
Quem já esteve com Lula depois do segundo turno das eleições também afirma que ele não dá pistas sobre nomes, mas tem demonstrado interesse pelo noticiário econômico e pelas especulações sobre o futuro da equipe econômica.
Auxiliares afirmam que o presidente deve deixar a indicação dos nomes para o final de novembro. Esses interlocutores dizem que Lula rejeita qualquer tipo de pressão do mercado para antecipar as escolhas e acalmar os agentes financeiros.
O cálculo de Lula sobre o momento dos anúncios também é político. O presidente avalia que o mercado já havia precificado a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas e agora, reeleito, não faz questão de ter pressa.










