Investigações apontam esquema envolvendo servidores públicos, falsificação documental, fraudes em veículos e atuação de juiz de paz
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A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia de Polícia Civil de Sorriso – Núcleo de Combate ao Estelionato e Lavagem de Dinheiro –, deflagrou na manhã desta terça-feira (19) duas grandes operações simultâneas contra organizações criminosas suspeitas de atuar em esquemas de fraude, corrupção, lavagem de dinheiro, falsificação documental e crimes patrimoniais de alta complexidade.
Batizadas de Operação Eidolon – Segunda Fase e Operação Falso Mestre, as ações resultaram no cumprimento de sete mandados de prisão, 16 mandados de busca e apreensão, bloqueios de contas bancárias, afastamentos de sigilo financeiro, suspensão de funções públicas e outras medidas cautelares determinadas pela Justiça.
Segundo a Polícia Civil, as investigações revelaram uma estrutura criminosa organizada e dividida em funções específicas, com participação de servidores públicos, falsificadores, intermediadores e pessoas ligadas a procedimentos cartorários.

Operação Eidolon investigou esquema de desvio de veículos apreendidos
Conforme as investigações, a primeira fase da Operação Eidolon revelou a existência de um esquema criminoso voltado ao desvio de veículos apreendidos que estavam sob responsabilidade da administração pública municipal de Sorriso.
O grupo identificava veículos com baixa probabilidade de recuperação pelos proprietários, especialmente motocicletas com pendências administrativas, e realizava retiradas ilegais dos pátios utilizando procurações fraudulentas, documentos falsificados e fraudes cartorárias.
A Polícia Civil apontou ainda que integrantes da organização possuíam acesso privilegiado a sistemas públicos e utilizavam procedimentos cartorários para inserir informações falsas, emitir procurações fraudulentas e regularizar veículos de forma ilícita.
As apurações identificaram indícios dos crimes de:
- Organização criminosa;
- Estelionato;
- Corrupção;
- Peculato;
- Lavagem de dinheiro;
- Falsificação de documentos públicos;
- Inserção de dados falsos em sistemas de informação.
Entre os investigados está um guarda municipal apontado como liderança operacional do esquema criminoso, além de um juiz de paz suspeito de facilitar os procedimentos utilizados nas fraudes.

Nesta segunda fase da operação foram cumpridos:
- 05 mandados de prisão;
- 09 mandados de busca e apreensão;
- 05 ordens de bloqueio de contas bancárias;
- Suspensão de registros empresariais;
- Suspensão do exercício de função pública;
- Afastamento do sigilo financeiro de oito investigados.
As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal de Sorriso.
O nome “Eidolon”, segundo a Polícia Civil, faz referência à ideia de “imagem projetada” ou “reflexo”, simbolizando a falsidade e a duplicidade utilizadas pelos investigados para ocultar as práticas criminosas.

Operação “Falso Mestre” apura financiamentos fraudulentos
Já a Operação Falso Mestre teve início após uma vítima denunciar que foi induzida a entregar documentos pessoais sob o pretexto de matrícula em um curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Segundo as investigações, o principal suspeito, conhecido da vítima e ex-professor, teria utilizado a relação de confiança construída ao longo dos anos para obter os documentos pessoais, posteriormente usados em fraudes bancárias para financiamentos de veículos.
Entre os automóveis adquiridos ilegalmente estão um Chevrolet Cobalt e um Jeep Renegade, totalizando dezenas de milhares de reais em contratos bancários supostamente firmados sem autorização da vítima.
Durante as investigações, a Polícia Civil identificou movimentações financeiras suspeitas, destinatários dos valores obtidos e possíveis integrantes responsáveis por falsificação documental e tentativas de regularização fraudulenta dos veículos.
Também foram encontrados indícios da participação de pessoas ligadas a cartórios da cidade, incluindo um juiz de paz apontado como facilitador das procurações utilizadas no esquema.
As investigações apontam ainda para atuação interestadual e possível caráter transnacional da organização criminosa.

Ação cumpriu 7 mandados de prisão, 16 buscas e apreensões e bloqueios judiciais em Mato Grosso, Santa Catarina e Amazonas
Na Operação Falso Mestre foram cumpridos:
- 02 mandados de prisão;
- 07 mandados de busca e apreensão.
Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e associação criminosa.


Operações tiveram apoio interestadual
A Polícia Civil destacou que as investigações envolveram elevado grau de complexidade técnica, trabalho de inteligência e integração entre unidades policiais de diferentes estados.
O delegado Thiago Meira agradeceu o apoio operacional das regionais da Polícia Civil de Sinop e Nova Mutum, da Polícia Civil de Santa Catarina — especialmente da Delegacia da Comarca de Balneário Piçarras — e da Polícia Civil do Amazonas, por meio da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações de Manaus.
Segundo a corporação, a atuação integrada entre Polícia Civil, Ministério Público e Poder Judiciário foi essencial para o avanço das investigações e cumprimento das medidas cautelares.












