Time teve dificuldades, mas venceu Boca Juniors com Mineirão lotado
Rival tradicional, casa cheia, catimba, arbitragem ruim e defesa bem postada. O Cruzeiro superou tudo isso para vencer o Boca Juniors por 1 a 0, no Mineirão, em uma noite completa de Conmebol Libertadores. O time segue bem na disputa do grupo D e deu mais um passo no processo de evolução com Artur Jorge.
O treinador tinha em mãos o melhor para escalar o Cruzeiro diante dos argentinos. A base em campo foi aquela considerada titular há algumas semanas, sendo Otávio, no gol, a única mudança – e exclusivamente por opção.
A escolha do treinador inflamou a torcida no Mineirão mesmo a uma hora do apito inicial. Desde o aquecimento, apoio irrestrito ao goleiro, substituto do contestado Matheus Cunha. O ambiente, com quase 60 mil pessoas, era primordial para o Cruzeiro começar a construir a vitória. E foi suada.
Em campo, desde o primeiro minuto, o jogo se mostrou exatamente como seria. O Boca não tinha um grande ímpeto ofensivo, mas marcava com linhas altas e dificultava a saída de bola cruzeirense. Não era fácil para goleiro, zagueiros e laterais encontrarem Gerson e Matheus Pereira, os cérebros da equipe.
Por conta disso, o Cruzeiro jogava pouco de pé em pé. Quando passava pela primeira linha de marcação, encontrava espaços, mas não sabia aproveitá-los. Arroyo e Fagner foram bastante acionados pela direita, mas não viviam, tecnicamente, uma boa noite.
Junto às dificuldades do Cruzeiro, um outro componente deixava o jogo mais próximo do que desejava o Boca Juniors: Esteban Ostojich. O árbitro picotou o jogo desde o primeiro minuto, com faltas invertidas e cartões em excesso. Não que tivesse má-fé contra os brasileiros, mas o estilo de arbitragem favorecia a estratégia dos argentinos.
Mas foi uma decisão do próprio Ostojich, refém do critério adotado no Mineirão, que fez o jogo mudar de enredo. Mostrou dois amarelos e expulsou Adam Bareiro, ainda no fim do primeiro tempo. O Cruzeiro teria toda a segunda etapa para fazer valer o jogador a mais.
A soberania, no entanto, foi territorial. O Cruzeiro soube dominar as ações do Boca, roubando rapidamente a posse e tornando escassas as subidas perigosas dos argentinos. Faltava retomar a inspiração de jogos recentes, ainda mais com o rival se defendendo em 20 metros do campo.
A bola aérea era uma alternativa. Em escanteio e falta bem ensaiados entre Matheus Pereira e Fabrício Bruno, o zagueiro não conseguiu balançar as redes. Kaio Jorge, de poucas aparições, também teve chance, mas parou no goleiro Brey.
Artur Jorge empilhou atacantes, abriu mão de Lucas Romero e foi rapidamente recompensado. E com o brilho de nomes que raríssimas vezes deixam o Cruzeiro na mão: Matheus Pereira e Kaio Jorge. Enfiada do camisa 10, movimentação perfeita do atacante, e gol de Neyser.
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Kaio Jorge e Villlarreal em Cruzeiro x Boca — Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
A vantagem deu ao Cruzeiro a chance de ter, nos minutos finais, a última pitada de uma noite de Libertadores. O Boca se jogou ao ataque, mas o time brasileiro usou dos artifícios mais portenhos em um jogo da competição. Sofreu faltas, forçou paralisações e fez valer os segundo em cada lateral a favor. Não teve mais jogo: 1 a 0 e liderança provisória do grupo.
Assim como aconteceu diante do Remo, o Cruzeiro venceu um jogo que impôs dificuldades criativas. É clichê, mas são partidas assim que dão casca. E, mais do que isso, vitórias assim confirmam o crescimento do time. Especialmente o mental, tão abalado no primeiro trimestre conturbado da temporada.

















