Após 20 anos de casada, a atriz celebra nova fase amorosa e garante: ‘Já sei que não morro de amor’
‘Guerreira famosa”: seria esse o significado do nome Heloisa. Mas a atriz Heloisa Périssé, apesar da fama, não gosta de ser vista como guerreira. Ela prefere a harmonia ao confronto. Aos 59 anos e no ar atualmente como a maldosa Zulma, dona de um orfanato em “Êta mundo melhor!”, a também autora e agora diretora artística de um programa do Gloob experimenta o que chama de “segunda adolescência”. Uma fase de liberdade, de recomeço amoroso com um namoro após o fim de um casamento de mais de duas décadas, e dívidas zeradas com o passado.
Em um bate-papo profundo e bem-humorado, Lolô, como é chamada pelos amigos, abre o coração sobre a sua relação com a fé, o orgulho das filhas Luísa, de 26, e Tontom, de 19, e compartilha como o diagnóstico de um câncer em 2019 mudou sua percepção sobre o corpo e o tempo. “A vida é uma festa eterna”, defende ela, lembrando que o melhor momento é sempre o agora.
“Êta mundo melhor!” já se encaminha para a reta final. Como tem sido fazer sua primeira vilã em uma novela?
O fato de ser uma vilã que lidaria com crianças me atraiu. Eu imaginei que não seria uma vilã pesadíssima. E não foi, embora Zulma agora esteja pegando uma estrada sem volta. Esse trabalho foi a oportunidade de explorar esse lado que eu nunca tinha trabalhado antes, o da vilania. Mas acho que Zulma não é só vilã. Ela é uma pessoa que também foi “vilanizada”. Um erro não justifica o outro, claro, mas ela é humana e tem amor dentro dela. Só que um amor entendido de forma torta. Como sou uma pessoa otimista e de muita fé, acredito que o ser humano veio do amor. A nossa essência é divina, mas viemos do barro. Zulma vive essa confusão. Ela ama, mas tranca esse sentimento no armário e chora quando um anjinho vai embora. Ama Candinho (Sergio Guizé) e tenta destruir a relação dele por não entender que ele gosta de outra pessoa. Essa escolha sobre qual rumo tomar é muito confusa para ela.
Heloisa Périssé em ensaio para a CANAL EXTRA — Foto: Vinícius Mochizuki
Parece que você criou muita intimidade com as crianças em cena…
É maravilhoso gravar com elas! Meus “filhos” na ficção são incríveis, talentosos e muito amorosos. Eu e Evelyn Castro (a Zenaide) somos apaixonadas por eles. Recentemente, fiz uma tarde de celebração para todos aqui em casa. Teve um bolo com nossa foto, animador, pula-pula, pique-esconde e queimado. Eles passaram a tarde toda comigo e depois cantamos parabéns para nós mesmos (risos).
E como você é como mãe?
Digo que meus dois grandes acertos na vida são minhas filhas e a minha profissão. Eu não era aquela criança que sonhava ser mãe. Queria fazer arte, teatro, criar personagens. Mas, aos 30 anos, tive um “salto quântico” e decidi viver a maternidade. Veio a Luisa (sua filha com Lug de Paula, filho de Chico Anysio). Eu disse que se viesse uma menina, pararia (risos). Só que eu me separei do Lug e tive vontade de ter outro filho com o Mauro Farias (com quem ficou casada por mais de 20 anos). Achei que seria um menino, mas veio a Antônia. Confesso que me assustei, achei que não a amaria tanto quanto amava Luisa. Mas ela encontrou o lugar dela perfeitamente. Luisa me ensinou o amor. E Antônia, a transcendência do amor. Vi que dois corpos podem, sim, ocupar o mesmo lugar no coração de uma mãe. Sou completamente apaixonada por elas!
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Luisa já saiu de casa e Tontom foi morar em outro país. Como você encara essa fase do “ninho vazio”?
Nunca me assustou. Criei minhas filhas para o mundo. Outro dia, Tontom disse: “Você empurrou a gente pra vida de qualquer jeito”. Eu empurro para a vida, mas fico no backstage. As protagonistas são elas. Minha maior angústia era que elas não soubessem se virar na vida. Adoro quando elas vêm me ver, claro, mas fico feliz com a autonomia das duas. Não sou uma mãe chantagista que diz “Fica com a mamãe”.
Pensou em ter mais filhos? A novela despertou o desejo de adotar?
Não. Duas está perfeito. Mas é curioso que, em leituras espirituais como tarô e mapa astral, sempre me aparece um “terceiro filho”. E eu já perdi um bebê. Pode ser que esteja em outra dimensão.
Você terminou um casamento longo com Mauro Farias e começou um relacionamento com Leticia Prisco. Como está sendo viver essa nova história?
Eu já fui casada outras vezes e já tinha me separado antes. Mas vou dizer: eu me considero vivendo a minha “segunda adolescência”. E vou além: a melhor adolescência é essa que a gente começa agora, aos 60 (risos). Entrei na menopausa, estou tendo a oportunidade de viver uma fase em que já tenho minha profissão, meu lugar consolidado, meu dinheiro, minhas filhas já estão grandes, já sei que não morro de amor. Separar não é fácil. Às vezes, separar é mais difícil do que casar. Por isso, muita gente “empurra com a barriga’’. Mas eu já tomei várias atitudes na vida e vi que não morri. O tempo faz as coisas se ajeitarem. Estar em dia com a sua verdade, sua cabeça e seu coração é o que faz de você uma pessoa melhor.
Como você reagiu quando começaram a falar publicamente sobre o seu novo namoro?
Eu não tenho nada a esconder. Não me sinto devedora e não acho que deva grandes explicações. Sou uma pessoa pública, poderia vir à tona. Esperava por esse momento, mas sem criar expectativas. Hoje em dia, eu não vivo um problema antes de ele aparecer. Não respondo a conjecturas. “E se? E se?”. Eu penso: “Amor, deixa configurar. Quando configurar, a gente vê o que faz”. Eu já sofri muito por problemas que nunca aconteceram. Então, para que sofrer por antecedência? Falaram e pronto, para mim é tranquilo.
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Você se vê casando de novo ou prefere cada uma no seu “quadrado’’?
Sou essencialmente “casadoira”. Antes, eu saía de um namoro direto para outro, e depois de um casamento para outro. Mas hoje, antes de casar de novo, estou achando bom ter a oportunidade de namorar um pouco. Quero fazer uma construção mais sólida, orgânica e gradual, tanto do relacionamento quanto dos sentimentos.
E o que você tem vivido nessa “segunda adolescência”? Vai muito a festas?
Faço tudo! Estou ótima. Saio com as minhas amigas, vou para a balada, faço minha ginástica… Não tenho mais que organizar a vida de ninguém a não ser a minha. Claro que me preocupo com minhas filhas, mas elas já têm suas próprias vidas.
Como você encara a menopausa?
Com naturalidade. Tem coisas muito piores. Faço reposição hormonal, o que melhora muito a vida, e busco alternativas naturais.
Acha que as mulheres estão mais conscientes desse assunto?
As mulheres já não estão aceitando não falar das coisas. O mundo é machista, mas elas estão sabendo se posicionar melhor. O segredo é não viver em função do que o outro acha da gente. O outro que vá para a terapia!
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Em um comentário no seu Instagram, a atriz Fabiana Karla escreveu que a palavra que define você é “fé”. Concorda?
Concordo. Sou “Candinho total”: tudo o que acontece de ruim é para melhorar. Para mim, fé é aceitar com resiliência o que acontece, acreditando que Deus é bom e que existe um propósito, não só para você, mas para o universo inteiro.
Sua fé vem de família?
Acho que já nasci assim. Ia à igreja com minha avó, isso sempre fez sentido pra mim. Minha mãe é espiritualista, meu pai era ateu e virou cristão no fim da vida. A fé é o mais importante pra mim.
Você já disse que agora não segue uma religião. Busca Deus onde?
Não sigo mesmo. Vejo Deus em tudo: na natureza, nas árvores, no fato de conseguir tomar um banho gostoso ou fazer um xixi sem dor. Eu até construí um lugarzinho na minha casa que chamo de “céuzinho”, onde me conecto e tenho minha intimidade com o Criador. Minha oração é constante: agradecer pela comida, pelas filhas, pelo trabalho. Só tenho conforto pensando na humanidade quando penso que Deus está vendo.
Faz um tempo que as pessoas estão misturando fé e crenças religiosas com política. O que você acha disso?
Sou extremamente religiosa, mas defendo o Estado laico, absolutamente. Não adianta você obrigar alguém a se conectar, a se relacionar com Deus. Fé é individual, e a conexão com Deus é de foro íntimo. Deus vê o coração, não o discurso. Não adianta eu estar em cima de um púlpito pregando e minha essência ser outra.
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Você passou por um câncer raro nas glândulas salivares, descoberto em 2019. Depois da cura, já disse que não gosta de ser chamada de “guerreira”. Por quê?
Embora meu nome seja Heloisa e o significado seja “guerreira famosa”, eu não sou uma guerreira. Não gosto de entender a vida como uma guerra. Eu saí dessa porque não era a minha hora. O caminho que busquei foi o de me harmonizar. Eu prefiro entender a vida pela harmonia, não pelo confronto.
Você também já afirmou não ter medo da morte. Do que tem medo?
Não tive medo da morte, fiz amizade com ela e com o tempo. Em compensação, tenho pânico de lagartixa (risos)!
O câncer mudou sua relação com o seu corpo?
Muito. Sou vaidosa com a saúde: como bem, faço academia e dou ao meu corpo os nutrientes de que ele precisa. Ele foi um parceiro incrível no momento em que mais precisei.
Você se mostra muito bem resolvida. Faz terapia, meditação?
Faço as duas coisas. Eu cuido muito das minhas “três bocas”: corpo, mente e espírito. Esse é um assunto sobre o qual quero muito falar: a importância da saúde completa. Você tem três fontes que precisa saber como alimentar. A boca, comendo da melhor forma possível; a mente, com o que você vê, lê e consome; e o espírito. A única certeza que temos é a morte. A gente lamenta uma partida, mas esse é o nosso destino. Por isso, cuido do equilíbrio agora.
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O que ainda falta realizar na vida?
Acho que sempre fiz o que tinha que fazer. Não tenho dívidas com a vida. Eu determinei que, daqui para frente, é só sucesso. Com 60, vai ser maravilhoso; com 70, vão estar cortando os pulsos por causa de mim. Com 80, vou estar na glória. E com 90, se Deus quiser, eu posso ir. Na verdade, vou quando Deus quiser. Até lá, a vida é uma festa eterna.
Você sempre foi essa pessoa animada?
Graças a Deus, sim. Isso não tem a ver com condição social, idade ou dinheiro. Mesmo quando eu era dura, eu era feliz. Claro que a vida tem altos e baixos. Mas mesmo nesses momentos, eu sempre me dei a minha própria injeção de ânimo.
Quais são os planos para depois que a novela acabar?
Vou fazer um curta-metragem da Bruna Trindade e depois morar um mês em São Paulo para um trabalho. Também estou escrevendo uma peça para fazer com o Otavio Müller e o Marcelo Serrado. Minha vida não tem pódio de chegada, estou sempre inventando algo. Ainda dirigi artisticamente o programa “Habla mesmo’’, do Gloob, para adolescentes. Estreou agora, em 19 de janeiro. Tenho essa adolescente forte para sempre dentro de mim. Amei fazer! Meu trabalho me energiza.

















