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‘Meu pai não era bicho’ Família enterra idoso em área de mata por falta de infraestrutura de cemitério

Familia levou caixão do idoso para mata; a esposa não conseguiu acompanhar o sepultamento do marido. — Foto: Divulgação

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Parentes relatam cena humilhante e cobram providências da prefeitura; familiares gravam a cena e também passam por cima de outros corpos expostos por terem sido enterrados em locais inapropriados.

 

Imagens revelam a dificuldade enfrentada por amigos e familiares de Carlos Ribeiro, de 84 anos, para acessar o local indicado para o sepultamento no Cemitério Municipal de Petrópolis, na Região Serrana do Rio.

Um vídeo, gravado nesta sexta-feira (02), mostra filhos e parentes carregando o corpo morro acima.

Durante o trajeto, os familiares passam por restos mortais de outras pessoas que, com o tempo e por estarem enterradas em locais inadequados, acabaram ficando expostos.

O caminho é de terra, irregular, atravessa uma área de mata e não conta com qualquer tipo de infraestrutura.

Em vários momentos, o grupo precisa interromper a caminhada para descansar, já que a subida é íngreme e de difícil acesso.

“Foi muito humilhante. Foi sacrificante subir ali. A família do meu pai veio de Teresópolis e não conseguiu subir. A gente passando por cima de outras campas. Muito desumano. Aquilo ali pra mim é o fim do mundo. Meu pai não era bicho. É um descaso da prefeitura com a gente. O povo petropolitano nã merece essa humilação”, desabafou Márcio André Andrade Ribeiro, filho do idoso.

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Familia levou caixão do idoso para mata; a esposa não conseguiu acompanhar o sepultamento do marido. — Foto: Divulgação

Familia levou caixão do idoso para mata; a esposa não conseguiu acompanhar o sepultamento do marido. — Foto: Divulgação

 

Márcio relatou que a mãe, também idosa, não conseguiu acompanhar o sepultamento do marido por causa das condições do local. Segundo ele, a situação foi humilhante e evidencia a falta de estrutura para a realização de enterros.

Márcio cobrou providências do poder público para garantir condições dignas às famílias no momento de se despedirem de seus entes queridos.

Os problemas estruturais no cemitério se arrastam há anos. Em 2022, chuvas fortes provocaram um deslizamento de terra que atingiu o terreno e inutilizou parte dos setores de sepultamento.

Já em março de 2024, o setor nove, destinado às gavetas, desmoronou após mais um episódio de chuva intensa.

Em abril de 2025, a prefeitura anunciou que conseguiu recursos da Secretaria Nacional de Defesa Civil para obras de contenção e para a criação de novas gavetas no Cemitério Central.

Em nota, a Prefeitura de Petrópolis informou que está marcada para o dia 21 deste mês a licitação para a reconstrução das áreas do cemitério afetadas pelas chuvas de 2022 e que o governo municipal também realiza estudos para ampliar a capacidade dos cemitérios da cidade.

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