Em 1986, o compacto Ragge mesclava estilo off-road e mecânica robusta de origem Volkswagen, refrigerada a ar; Autoesporte testou o protótipo
Uma ideia simples e prática. Assim pode-se definir o Ragge, a mais recente novidade na área de veículos esportivos com carroceria de fibra de vidro do mercado nacional. Produzido no Estado do Rio de Janeiro, este novo modelo se caracteriza pela versatilidade, que lhe permite uma utilização variada, podendo ser considerado um veículo meio esportivo, meio utilitário.
Com estas características, aliadas a um design equilibrado e atual, o Ragge tem tudo para se tornar um sucesso de vendas. Isto, apesar das limitações impostas pela mecânica – a tradicional plataforma do Fusca –, que impede que ele possa ser considerado um verdadeiro on/off road, como tem-se a impressão no primeiro contato visual.
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Como tudo começou
O projetista do Ragge é o engenheiro carioca Júlio Silla, cuja primeira incursão na área automobilística foi a criação do Tanger. Sócio minoritário, Silla resolveu montar sua própria fábrica e partiu para o desenvolvimento de um novo modelo, sem similar neste segmento de mercado.
Para isto, com base nos conhecimentos que tinha e pouco dinheiro, em um curto espaço de tempo ele desenvolveu o Ragge. Para ser mais exato, em apenas 40 dias o Ragge passou do papel para a versão básica do primeiro protótipo, o qual inclusive ainda está rodando em testes. Tudo isso sem nenhuma mágica, mas com ideias simples e práticas.
Mecânica
A base mecânica é a tradicional plataforma Volkswagen e seu conhecido motor refrigerado a ar. O chassi teve sua distância entreeixos reduzida em cerca de 35 centímetros, ficando igual à do Gurgel X-12, com a finalidade de proporcionar características de um on/off road. A carroceira foi moldada em cima de um Chevette, que permite fácil modelagem em razão da ausência de quinas e frisos. Assim, em uma tacada só o projetista resolveu os problemas de ergonomia do habitáculo e do fornecimento de peças, sempre difícil para os pequenos fabricantes.
Desta forma o para-brisa, os vidros laterais das portas (assim como também as próprias portas) e o painel são os do Chevette, moldados em fibra de vidro.
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Design
Com a estrutura básica pronta o projetista passou então para a fase de definição do estilo, com a preocupação básica de descaracterizá-lo do Chevette. A frente recebeu linhas retas, atuais para um modelo com suas características on/off road e que se caracterizam ainda mais com a adoção de quatro faróis redondos. Na traseira, linhas também retas proporcionam muita harmonia ao design do Ragge.
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A estrutura de fibra, em uma peça única, proporciona bastante rigidez ao conjunto, que já vem com os para-choques e abas laterais dos para-lamas incorporadas, o que também contribui no reforço de toda estrutura.
Outro detalhe que caracteriza esta estrutura, bem como o design, é o corte feito logo após a coluna B. Com esta solução a carroceria ganha um estilo típico de uma picape, que facilmente pode ser transformada em um carro semi conversível, com capota de lona ou teto rígido. Com este, inclusive, ela mais parece uma camionete.
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Sem o teto ou capota de lona, o Ragge pode ser utilizado muito bem como uma verdadeira picape, removendo-se o banco traseiro e colocando-se um painel que isola os bancos dianteiros do compartimento de carga. Tem-se, aí, uma picape de razoável capacidade de carga, levando em conta suas reduzidas dimensões.
Esta solução, extremamente simples e engenhosa, proporciona muita versatilidade ao Ragge. E este deverá ser seu principal trunfo de comercialização. Mas o Ragge também contará com outras facilidades na comercialização, já que tanto poderá ser vendido com mecânica zero quilômetros como em kits. A adaptação é extremamente fácil, bastando cortar o chassi, como nos buggys.
O fabricante também tem outras ideias com referência à motorização mas, por enquanto, devido a grande lista de encomendas, vai manter o atual conjunto mecânico.
O jipinho Ragge tinha boas soluções estéticas e jeitão de 4×4 — Foto: Autoesporte/Acervo MIAU
Dimensões
O que mais chama atenção no primeiro contato visual com o Ragge são suas reduzidas dimensões. O comprimento total é de apenas 3 metros e 60 centímetros, cerca de cinco a menos que o Fiat Uno, o que, somando a pequena distância entreeixos – 2 metros e 5 centímetros – e o vão livre do solo, de 14 centímetros, proporcionam um belo visual, típico de um on/off road, como o fabricante define este modelo.
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As características de um todo-terreno são limitadas, entretanto, pela mecânica utilizada. Mesmo assim o estilo do Ragge convida a uma aventura fora de estrada. A mecânica, que por um lado limita o desempenho e a utilização do carro, por outro garante durabilidade, confiabilidade e facilidade de manutenção, além de facilitar a comercialização em kits, uma das preocupações do fabricante antes de lançar o modelo.
Exposto no Salão Náutico do Rio de Janeiro, em maio último, o sucesso foi tal, bem como o número de pedidos, que Júlio Silla já está revisando este conceito em relação aos kits e também à mecânica. Mesmo assim, nos próximos meses nada poderá ser feito, já que agora é necessário produzir e entregar muitos carros.
Interior
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O conforto nos bancos dianteiros é bom, tendo até mais espaço que o Chevette, devido ao túnel central de menores dimensões. Já no banco traseiro, a curta distância entreeixos sacrifica um pouco o espaço, mas mesmo assim pode-se acomodar com razoável conforto dois adultos. Como todos os modelos podem andar sem capota, este problema fica em parte reduzido – nos dias de sol, logicamente.
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Mesmo assim, isto não deve ser levado em consideração devido à finalidade de utilização deste veículo, que pode ser definido muito bem como meio carro esporte, meio utilitário, e ainda entra na área dos buggys. Versatilidade é realmente o ponto de destaque deste modelo.
Ainda com referência ao espaço, deve-se destacar que para bagagem ele é limitado, apesar das razoáveis dimensões do porta-malas na dianteira.
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Andando com o Ragge sente-se as limitações da mecânica, principalmente no asfalto. Já saindo da estrada fica bem mais interessante comandá-lo. A curta distância entreeixos permite uma direção ágil em caminhos acidentados e, nesse sentido, o Ragge só é limitado pela suspensão traseira, original VW, com barras de torção. O fabricante já descobriu isto e está desenvolvendo uma suspensão traseira opcional, com molas helicoidais, o que, com certeza, vai melhorar bastante o desempenho do carro nos caminhos tortuosos.
Já no asfalto o jeito é se conformar com as limitações mecânicas e curtir os olhares simpáticos que suas harmoniosas linhas despertam.
Realmente o Ragge traz um novo conceito em tudo o que já se fez na área de fibra tendo por base a plataforma VW. Nada de revolucionário, mas sim ideias simples e práticas. Dizem que a genialidade está na simplicidade, e neste sentido pode-se afirmar que este projeto tem muito de genial, abrindo um novo segmento neste mercado ao proporcionar um maior número de opções de utilização para o veículo.
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Ele pode muito bem ser uma caminhonete na cidade, uma picape no sítio e um “jipe” para brincar na areia ou em terrenos acidentados – isso tudo podendo ser transformado em um ou outro em questão de minutos. Ou seja, uma ótima opção tanto para primeiro como segundo carro da família.

















