O tempo, muitas vezes usado como refúgio para a impunidade, esgotou-se nesta segunda-feira (12) para uma mulher de 65 anos. Em uma ação coordenada entre as delegacias de Tapurah e Porto dos Gaúchos, as autoridades localizaram e prenderam uma foragida da Justiça condenada por um crime que desafia a compreensão ética e familiar: a participação direta no estupro de vulnerável da própria neta.
A captura não foi obra do acaso, mas de um trabalho de inteligência que rastreou a condenada até uma propriedade rural isolada, a 150 quilômetros de Juara. A idosa era procurada desde 2010, quando aproveitou o benefício de responder ao processo em liberdade para desaparecer do radar do Judiciário.
O crime, que remonta a 2004, carrega contornos de crueldade sistêmica. Segundo as investigações da Polícia Civil, a mulher não era apenas espectadora, mas peça ativa na engrenagem da violência. Enquanto o marido cometia os abusos contra a criança, a avó era responsável por imobilizar a neta e silenciar seus gritos, cobrindo-lhe a boca.
A justiça tardou, mas se consolidou em 2016 com a condenação definitiva. No entanto, o paradeiro da criminosa permaneceu um mistério por mais de uma década, até que diligências recentes apontaram para o seu esconderijo no interior do estado.
Após a localização e o cumprimento do mandado de prisão, a mulher foi encaminhada à Delegacia de Juara. O caso agora retorna ao fluxo do sistema prisional para o cumprimento imediato da pena. Para as forças de segurança, a prisão simboliza uma resposta contundente contra crimes domésticos e a exploração infantil, reiterando que a distância e os anos não são suficientes para apagar a responsabilidade penal.
A detida permanece à disposição do Poder Judiciário, encerrando um dos capítulos mais longos de fuga por crimes sexuais na região do Médio-Norte.

















