Senador aparece como filiado ao partido Missão em sistema da Justiça Eleitoral; segundo o TSE, o cadastro foi feito por um representante da sigla
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não conseguiu registrar sua candidatura à Presidência da República nesta quinta-feira (13), como havia anunciado, por conta de uma fraude que o filiou ao partido Missão. O comando da campanha do parlamentar diz que descobriu o ocorrido no momento em que acessou os sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que impediu o registro. Procurada pela equipe do blog, a Corte informou que não houve ataque hacker, mas sim “um uso indevido da ferramenta” por parte de alguém que possuía as credencias da legenda comandada por Renan Santos.
De acordo com a advogada da campanha, Maria Claudia Bucchianeri, o PL perdeu todo o acesso ao sistema do TSE e, por isso, não conseguiu fazer o registro. “Não sabemos o como isso aconteceu: se foi hackeamento do TSE, se hackearam o Missão, se foi doloso ou se alguém comprou a senha do sistema e fez a partir disso”, explica.
Os representantes de Flávio vão pedir que seja restabelecida a filiação do candidato ao PL e solicitar à Polícia Federal (PF) a abertura de um inquérito.
“O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral para providências e determinou instauração de inquérito por parte da Polícia Judiciária. O Partido Liberal protocolou pedido de desfiliação do Missão, que já está sob análise”, disse o TSE.
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O que diz o Missão
Em comunicado enviado à equipe do blog, o partido de Renan Santos afirmou que possui um sistema próprio de filiações, que são feitas em um site do Missão. A partir disso, as informações são enviadas de forma automatizada para o secretário geral da sigla, que ratifica os registros junto ao TSE.
“Nosso sistema, ao notar a fraude, tentou realizar no mesmo dia o cancelamento da filiação, ação que foi rejeitada pelo TSE. O gabinete de Flávio foi informado dessa tentativa de filiação desde o dia 2 deste mês”, informou o partido, em nota.
O Missão ressaltou que também está “adotando todas as providências cabíveis” junto à PF e ao TSE para que “os responsáveis pelo crime e pela fraude sejam identificados e exemplarmente punidos”.
“Ressaltamos, ainda, que não é do interesse do partido acolher em seus quadros um parlamentar que, para além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção”, completou.
O candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ) — Foto: Daniel Ramalho/AFP
Certidão de filiação
No site da da Justiça Eleitoral, consta que Flávio teria se desfiliado do PL ontem, no dia 12. A certidão de filiação partidária do senador mostra que, desde então, ele consta como membro da legenda presidida por Renan Santos, que também concorre ao Palácio do Planalto.
O documento de filiação emitido na manhã de hoje também aponta que, apesar da modificação, a situação eleitoral de Flávio consta como “regular”. No entanto, o senador não poderia disputar o pleito por outra legenda, já que as convenções partidárias terminaram no último dia 5.
A data-limite para o registro de candidaturas no TSE é 15 de agosto, próximo sábado. As siglas, federações e coligações têm até às 19h para apresentar os respectivos dados à Justiça Eleitoral. “É muito grave isso acontecer no dia do registro da candidatura”, completa Bucchianeri.
Até o momento, seis concorrentes já registraram suas candidaturas no TSE: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição pelo PT; Hertz Dias, do PSTU; Samara Martins, do UP; Wilson Grassi, do Democrata; o ex-governador Romeu Zema, do Novo; e o próprio Renan Santos, pelo Missão.
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