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Condenados em caso Marielle Franco seguem recebendo salário do Estado; valor passa de R$ 3,8 milhões

Chiquinho Brazão, Domingos Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald Paulo Alves e Robson Calixto Fonseca foram condenados pelo caso Marielle Franco — Foto: Agência Câmara e Alerj/Divulgação, Brenno Carvalho e Gabriel de Paiva/Agência O Globo, e Reprodução/Youtube

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O major Ronald Pereira, com parecer pela exclusão da PM desde 2019, mantém-se no cargo devido à lentidão da Justiça fluminense.

 

Um levantamento feito pela CBN mostra que, além de Domingos e Chiquinho Brazão, condenados como mandantes do homicídio, o delegado Rivaldo Barbosa e o major da PM, Ronald Paulo Alves Pereira, continuam recebendo proventos mesmo estando presos desde março de 2024.

Desde que foram presos, quatro dos condenados pela morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes receberam pelo menos R$ 3,8 milhões em salários pagos pelos cofres públicos.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade, nesta quarta-feira (25), condenar os réus acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, assassinados em março de 2018, no Rio de Janeiro.

CBN mostrou no início deste mês que Domingos Brazão recebeu mais de R$ 1 milhão em salários desde sua prisão pela Polícia Federal. Ele se tornou conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) em abril de 2015 e, desde então, pouco trabalhou. Em 130 meses, recebeu salário em 96 (oito anos), mesmo estando afastado da Corte de Contas por prisões ou outras decisões judiciais.

O ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, recebeu montante parecido: R$ 1,3 milhão em salários brutos desde março de 2024. Levantamento feito no Portal da Transparência do governo do RJ mostra que, no mês da prisão, sua remuneração bruta foi de R$ 67 mil e, após os descontos, recebeu R$ 42 mil líquidos. À época, ele estava lotado na Coordenadoria de Comunicações e Operações Policiais. Desde então, segue recebendo como “afastado” da Polícia Civil. Seu último salário líquido foi de aproximadamente R$ 31 mil.

CBN procurou a Polícia Civil para saber se há algum procedimento interno sobre Rivaldo Barbosa e até quando ele continuará recebendo salários mesmo afastado, mas não houve retorno.

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Já o major Ronald Alves Pereira segue recebendo salários sem trabalhar e sem ser expulso desde que foi preso em 2019, por comandar uma milícia na Muzema, na Zona Oeste do Rio. Condenado em 2022 também por comandar o episódio conhecido como “Chacina da Via-Show”, quando quatro jovens foram mortos em 2003 na Baixada Fluminense, Ronald conta com a demora da Justiça para seguir recebendo R$ 29 mil brutos por mês. De março de 2024 para cá, foram R$ 743 mil em vencimentos brutos.

Chiquinho Brazão, Domingos Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald Paulo Alves e Robson Calixto Fonseca foram condenados pelo caso Marielle FrancoChiquinho Brazão, Domingos Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald Paulo Alves e Robson Calixto Fonseca foram condenados pelo caso Marielle Franco — Foto: Agência Câmara e Alerj/Divulgação, Brenno Carvalho e Gabriel de Paiva/Agência O Globo, e Reprodução/Youtube

Em nota, a PM informou que o “processo administrativo disciplinar referente ao major PM Ronald Paulo Alves Pereira encontra-se em tramitação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). No âmbito da Polícia Militar, houve parecer do Secretário de Estado de Polícia Militar opinando pela demissão e pela declaração de indignidade para o oficialato, com a consequente perda do posto. A decisão final, contudo, compete ao Poder Judiciário”.

Já Chiquinho Brazão, que era deputado federal quando foi preso, recebeu R$ 572 mil em salários pagos pela Câmara até finalmente perder o mandato em abril de 2025.

Defesa de réus condenados por mandar matar Marielle Franco deve recorrer à sentença

 

Sessão do julgamento do caso Marielle Franco no STF — Foto: Rosinei Coutinho/STF

Sessão do julgamento do caso Marielle Franco no STF — Foto: Rosinei Coutinho/STF

A defesa dos réus condenados por mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em 2018, deve recorrer à sentença. Para isso, os advogados devem analisar o acórdão do julgamento — ou seja, a decisão do órgão judicial colegiado —, que será elaborado pelo Supremo em até 60 dias.

Enquanto a sentença não transitar em julgado, a defesa pode entrar com “Embargos de Declaração”. O dispositivo serve para questionar contradições, omissões ou obscuridades no texto final da decisão. Normalmente, porém, não há mudança no resultado do julgamento.

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Em decisão histórica, a Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, nesta quarta-feira (25) o ex-deputado Chiquinho Brazão e o irmão dele, Domingos Brazão, a 76 anos de prisão cada, como mandantes do crime.

Os ministros também condenaram o ex-chefe da Polícia do Rio, Rivaldo Barbosa, a 18 anos de prisão por corrupção e obstrução de Justiça. Os magistrados concluíram não haver provas da participação do delegado no planejamento dos assassinatos, como defendido pela Procuradoria-Geral da República.

O major da PM Ronald Alves de Paula pegou 56 anos de cadeia. E o ex-policial Robson Calixto, assessor de Domingos Brazão, foi condenado a nove anos.

Além da prisão, os ministros suspenderam os direitos políticos dos réus e determinaram a perda dos cargos e funções públicas.

Os condenados também terão que pagar R$ 7 milhões às famílias de Marielle, Anderson e Fernanda Chaves, ex-assessora da vereadora e única sobrevivente do atentado.

Votaram pela condenação o relator Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e o presidente da Primeira Turma, Flávio Dino. Com o voto de Dino, o placar foi fechado em 4 a 0. Ainda cabe recurso ao próprio STF.

Foram condenados:

  • Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ: duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada;
  • João Francisco Inácio Brazão, deputado cassado: duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada;
  • Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ: obstrução à justiça corrupção passiva;
  • Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar: duplo homicídio e homicídio tentado;
  • Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão: organização criminosa.
  • Rivaldo Barbosa foi absolvido da acusação de homicídio qualificado, por “dúvida razoável”, mas condenado por corrupção passiva e obstrução de Justiça.

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