Defesa tentou transferir local de julgamento sob argumento de repercussão do caso e possibilidade de influência sobre os jurados; réu deve ir ao Tribunal do Juri entre este e o próximo mês
A Turma de Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negou, nessa quinta-feira (16), o pedido de desaforamento feito pela defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra. Com esse recurso, ele tentava transferir para outra cidade, que não fosse Cuiabá, o julgamento pelo homicídio qualificado da ex-namorada Thays Machado e do então namorado dela, Willian Moreno. O crime aconteceu em janeiro de 2023, na capital mato-grossense.
Em setembro do ano passado, a defesa de Carlinhos pediu ao TJMT que o julgamento não ocorresse em Cuiabá, sob o argumento de repercussão do caso e da possibilidade de influência sobre os jurados. No mesmo pedido, também solicitou a suspensão do processo até decisão definitiva sobre o desaforamento.
Conforme informado pelo RepórterMT, o Judiciário trata o julgamento de Carlinhos Bezerra, que é filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, como questão de honra, e há previsão de que ele seja submetido ao júri popular entre este e o próximo mês.
De acordo com a desembargadora Maria Erotides Kneip, o caso já tramitou em todas as instâncias e acumulou uma série de derrotas da defesa na tentativa de evitar o Tribunal do Júri. A defesa não dispõe mais de recursos.
“Isso também é ponto de honra para o Judiciário. Ter o julgamento desse cidadão, o mais rápido possível”, declarou.
O crime
Thays Machado foi assassinada no dia 18 de janeiro de 2023, junto com o namorado, Willian Cesar Moreno. Ambos estavam em frente ao edifício Solar Monet, no bairro Consil, quando foram mortos a tiros por Carlinhos, que manteve um relacionamento com Thays por dois anos e não aceitava o fim.
Carlinhos Bezerra foi preso no mesmo dia do crime, em uma fazenda da família, na cidade de Campo Verde. Ele chegou a obter prisão domiciliar, mas a medida foi revogada após a Justiça constatar o descumprimento das determinações impostas.
As investigações apontaram que, antes do duplo homicídio, Carlinhos monitorava a ex-namorada e tinha informações detalhadas sobre seus deslocamentos. Foram encontrados 71 registros de localização dos lugares frequentados pela vítima. Ele fazia o download no celular e depois imprimia os dados de geolocalização. Além disso, os programas foram instalados ainda durante o relacionamento.
Thays Machado já havia registrado boletim de ocorrência contra Carlinhos e, segundo a polícia, o crime ocorreu quando ela estava no prédio para devolver o carro que havia emprestado da mãe para buscar o namorado no aeroporto.

















