Diego Galindo, que chocou o universo da modalidade em maio, contou ao ge bastidores da criação de seu movimento autoral e revelou que ficou surpreso com o tamanho da repercussão
Ocupando o centro do palco do New York Pro no mês passado, Diego Galindo arriscou ao ouvir o promotor do evento anunciar “pose clássica favorita” pelo microfone. O fisiculturista colombiano virou de lado, flexionou os músculos dorsais, da perna direita e os bíceps antes de surpreender a todos ao se ajoelhar, virar de costas e dobrar o braço esquerdo enquanto o oposto apontava, em diagonal, para o alto. Longe de ser um improviso, o movimento autoral foi arduamente ensaiado por ele durante cerca de sete meses, mas a decisão da execução veio somente naquele momento.
— Eu senti na hora que podia e queria fazer, mas não foi nada planejado, tipo: ‘vou fazer essa pose’. Foi bem orgânico e gosto que tudo flua assim — contou Galindo, atleta da Classic Physique, em entrevista ao ge.
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Diego Galindo executa pose clássica inovadora no NY Pro de fisiculturismo — Foto: Reprodução
O movimento, realizado na oportunidade de maior liberdade artística durante a apresentação, impressionou ainda mais pelo quadro geral retratado no palco: Diego ousou enquanto os três competidores ao lado exibiam posições já convencionais na modalidade. Foram dez segundos entre o instante em que ele atendeu ao chamado até a conclusão da pose, que de imediato viralizou nas redes sociais e chacoalhou o meio do fisiculturismo por sua inovação e plasticidade.
O tamanho da repercussão, inclusive, chocou até o próprio atleta, que não imaginou que causaria tanto impacto nem na ocasião nem durante os mais de seis meses em que a praticou com afinco diante do espelho. Entusiasta de posadores consagrados no esporte, Galindo não só testa como ensaia diferentes coreografias antes mesmo de entrar em preparação para campeonatos. Ao ge, ele revelou detalhes e disse que seu processo criativo começa ainda na offseason, período em que o atleta consome mais calorias para construir músculos.
— Na fase de bulking eu vou praticando uma sequência de poses: em pé, no chão, de perfil… Vou analisando quais se encaixam melhor e praticando porque elas precisam de mobilidade, além de melhorar o treinamento também. Então, quando já se aproxima do pré-contest, vou percebendo qual pose deixo para fazer no palco e qual eu descarto — relatou Diego, que vive há quatro anos no Brasil.
— Não achei que fosse fazer tanto barulho assim. Realmente, é uma pose bem bonita inspirada em atletas como Kai Greene e Flex Wheeler, que são para mim uns dos melhores posadores de todos os tempos — acrescentou o colombiano.
Fãs deslumbrados, já a arbitragem…
Apesar do sucesso estrondoso na internet, a pose não rendeu a Diego o título da categoria no New York Pro, vencido pelo britânico Niall Darwen por um ponto de diferença entre eles. Na verdade, ela “custou” ao colombiano a primeira colocação, já que um dos juízes da competição, Tyler Manion, afirmou após a disputa que a pose clássica favorita serviu como critério de desempate entre os atletas que concorriam o topo do pódio.
— Acho que foram poses muito próximas. (…) Diego na verdade estava fazendo um bom trabalho de jogar com seus pontos fortes, ele se virou e fez basicamente uma variação de uma pose de costas. Você vê um braço levantado, um braço reto, você pode ver todo o detalhe e espessura em suas costas, detalhe e separação em suas pernas e nos isquiotibiais. Uma pose muito, muito agradável. Honestamente, essa pose é extremamente próxima, eu pessoalmente preferi a de Niall apenas por um pouco, fazendo disso três poses a duas para ele — justificou Tyler Manion, que também é vice-presidente da IFBB Pro League, em vídeo publicado nas redes sociais.
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Diego Galindo executa pose inédita no fisiculturismo — Foto: Reprodução/Instagram/@bodybuildingtotal
Para Diego, ele desceu do pódio campeão. O atleta da Integralmedica disse que se sentiu vencedor do torneio pela reação do público e até do próprio adversário, mas ponderou que não ficou magoado com o resultado. O colombiano mencionou um certo conservadorismo dos juízes na avaliação da pose, mas evitou polemizar.
— Entendo que [os árbitros] são um pouco conservadores nesse aspecto. Eu me senti vencedor naquele campeonato. O atleta sente a energia do público, do backstage, do adversário. O cara, quando deram o título para ele, ficou surpreso, porque você sabe quando vence um campeonato, você sabe quando chega 100%. Quando eu desci do palco toda a galera falou: ‘Você é o número um, você venceu’. Você vê nos comentários na internet, mas ainda assim trato de ficar frio, sem muita emoção porque pode acontecer esse tipo de coisa — opinou.
— Para mim o trabalho finaliza quando o atleta desce do palco, aí fico tranquilo com o resultado que os árbitros deram. Não tenho problema com essa decisão nem fico tampouco chateado. Fico chateado um par de horas depois, analisando, mas sempre trato de aproveitar e tirar algo positivo de tudo aquilo. Sei que meu momento vai chegar — complementou Galindo.
Na semana seguinte, ele se apresentou em outro torneio nos EUA, o Pittsburgh Pro, mas não voltou a repetir a pose. A explicação se dá pela presença no evento do mesmo juiz que arbitrou em Nova York e pelo fato de que Diego quer tornar o movimento um trunfo em suas exibições. No campeonato em Pittsburgh, ficou novamente em segundo, atrás do britânico Darwen.
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Diego Galindo ficou em 2º no New York Pro e no Pittsburgh Pro em maio — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
— Não quis fazer de novo porque essa vai ser uma pose que vai ser executada em certos campeonatos específicos de alto nível. Não que aquele campeonato não fosse de alto nível, mas era o mesmo árbitro, não queria fazer por ser ele, mais do que tudo por questão de arbitragem. Mas para o Olympia, Arnold Ohio, ou aqui no Brasil, gostaria de fazer. Então, é uma pose que vai ser exclusiva, entende? Não vai estar acontecendo o tempo todo — comentou.
“Sagitário” no Olympia?
Embora não tenha estreado a pose sendo coroado de campeão, Diego valorizou o amplo reconhecimento pela inovação. O fisiculturista acrescentou que seguirá inovando e prometeu novas surpresas para a disputa do Mr. Olympia. Até lá, ele já deverá ter definido um nome para o movimento, já apelidado de “Sagitário” na internet, mas que ainda não foi batizado.
— Gente da Coreia, Índia, da América Latina, da Europa, Estados Unidos… todo mundo fazendo a pose. Isso é bem bonito porque, apesar de não ter conquistado o top um em Nova York, conquistei uma galera não só daqui do Brasil, mas no mundo todo. Recebi amor, admiração e respeito também dos meus ídolos, referências como Keone Pearson, Derek Lunsford, Shaun Clarida, caras que eu admiro demais. Isso não tem preço. Para mim, tudo isso é mais importante que um troféu.
Ainda não sei que nome colocar nela. Alguns falam que é a pose ‘Sagitário’, mas ainda não tem“
Prestes a completar 28 anos, Diego é atualmente o primeiro colocado da Classic Physique, categoria de Ramon Dino, no ranking de classificação para a “Copa do Mundo” da modalidade, que ocorrerá em setembro, em Las Vegas. Com isso, tem vaga encaminhada para disputar o principal torneio da modalidade pela terceira vez.
O colombiano estreou no evento em 2024, terminando em 16º, e melhorou sua colocação na edição assada, subindo para sexto no ano em que Dino foi campeão. Em 2026, ele busca entrar no top 5 para subir ao pódio e projeta que daqui a poucos anos já estará credenciado como forte candidato na briga pelo título. Quem sabe com a pose inovadora já consolidada na modalidade.











