Aos 63 anos, musa dos anos 80, que ajudou a popularizar o fio-dental e o asa-delta no Brasil, celebra os 80 anos do biquíni, reflete sobre beleza e revela como encara a maturidade
Magda Cotrofê se tornou um dos grandes símbolos de beleza dos anos 1980, quando sua imagem estampava capas de revistas e sua carreira se dividia entre TV, cinema, Carnaval e moda. Quarenta anos depois do auge da fama, ela continua despertando curiosidade de quem quer saber por onde anda a musa que ajudou a popularizar modelos de biquíni como o fio-dental e o asa-delta no Brasil. Aos 63 anos, Magda olha para o passado sem nostalgia e celebra uma trajetória que, para ela, foi construída muito além da beleza.
“O biquíni foi muito além da moda. Ele acompanhou uma transformação da mulher na sociedade”, afirma ela sobre a peça, que completou 80 anos em julho deste ano. A atriz e ex-modelo acredita que a popularização da roupa de banho acompanhou também uma mudança na forma como as mulheres passaram a enxergar o próprio corpo e a exercer sua liberdade. “Quando comecei a minha carreira, mostrar o corpo ainda gerava muito julgamento. Com o tempo, o biquíni passou a representar escolha, autoestima e liberdade”, reflete.
Ao ajudar a levar modelos mais ousados para as praias brasileiras, Magda viu de perto uma mudança de comportamento que ultrapassou as passarelas e as páginas das revistas. “Tive a honra de ajudar a popularizar modelos como o fio-dental e o asa-delta, mas o mais importante foi ver mulheres de diferentes idades e perfis entendendo que podiam se sentir bonitas do seu próprio jeito”, afirma.
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Hoje, a ligação de Magda com a história do biquíni ganhou um novo significado, uma vez que ela atua como consultora do Bikini Art Museum na América Latina e acompanha a preservação da memória da peça que se tornou um dos maiores símbolos da moda brasileira. A chegada ao país de um modelo original criado por Louis Réard, inventor do biquíni, é motivo de orgulho para ela.
“É uma grande honra representar o Bikini Art Museum na América Latina. Receber uma peça original criada por Louis Réard, inventor do biquíni, significa trazer para o Brasil um capítulo importante da história da moda mundial”, conta.
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Magda acredita que o Brasil teve papel fundamental para transformar o biquíni em um fenômeno mundial. “O Brasil reinventou o biquíni. Nós transformamos essa peça em um símbolo da nossa cultura, do nosso estilo de vida e da nossa criatividade”, afirma.
A própria imagem de Magda, aliás, está ligada a esse período de transformação. Nos anos 1980, ela viveu uma rotina de intensa exposição. Vieram as capas de revista, os trabalhos na televisão e no cinema, as viagens, os eventos e o carinho do público. “Foi uma época muito intensa e maravilhosa. Vivi experiências que jamais imaginei: televisão, cinema, capas de revista, Carnaval, viagens e o carinho do público. Mas também existia uma grande pressão para manter uma imagem de perfeição”, relembra.
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A atriz acredita que o público conhecia a musa, mas nem sempre enxergava a mulher que existia por trás dela. “As pessoas enxergavam a ‘musa’, mas poucas conheciam a mulher dedicada, disciplinada e muito comprometida com o trabalho. Sempre procurei construir minha carreira com respeito, profissionalismo e limites bem definidos”, diz.
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“Vejo essa etapa como um privilégio”
Com o passar dos anos, Magda conta que sua relação com a própria imagem também mudou. “Envelhecer nunca foi um problema para mim. Vejo essa etapa como um privilégio. A maturidade traz segurança, equilíbrio e uma liberdade que talvez eu não tivesse aos vinte anos”, avalia.
Ela também não sofre por estar afastada dos holofotes. Magda continua envolvida com projetos, participa de eventos e palestras e compartilha parte de sua história nas redes sociais. “Não sinto falta dos holofotes; gosto de continuar sendo lembrada pelo que construí, mas hoje valorizo muito mais viver com propósito do que viver em evidência”, declara.
Ao olhar para a mulher que foi e para quem se tornou, ela identifica uma continuidade. “Foram muitas histórias de bastidores e muitas renúncias, mas a Magda dos anos 80 era movida por sonhos, desafios e pela vontade de aproveitar cada oportunidade. A Magda de hoje continua curiosa e apaixonada pelo que faz, mas aprendeu que o verdadeiro sucesso está nas pessoas que encontramos pelo caminho e no legado que deixamos”, reflete.
Ela diz que as lembranças que guarda também vão muito além da fama. “Quando olho para trás, não lembro só das capas de revista ou da televisão. Lembro dos encontros, das amizades e das histórias que construí. É isso que permanece”, conta.
É essa imagem, por sinal, que ela gostaria que as novas gerações conhecessem. “Gostaria que as novas gerações soubessem que minha história não foi construída apenas pela beleza. Foi construída com muito trabalho, disciplina, coragem e respeito por mim mesma”, afirma.
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