Cunhã-poranga do boi Caprichoso conta que já tentou mudar características do rosto para se encaixar em padrões de beleza, mas encontrou na ancestralidade a força para se reconhecer
“Ela é Munduruku!”. Antes de se tornar um dos principais símbolos do Festival Folclórico de Parintins, Marciele Albuquerque era uma menina criada entre a floresta, a comunidade e os sonhos que pareciam distantes demais para serem alcançados. Hoje, ao entrar na arena como cunhã-poranga do boi Caprichoso, ela carrega mais do que a indumentária. Carrega a história de suas raízes, da família e de uma trajetória que transformou sua vida.
Mas houve um tempo em que a mulher admirada por milhares de pessoas ainda buscava se reconhecer diante do espelho. Na série especial do gshow Cunhãs – Além de Parintins, publicada também no GloboPop, Marciele conta que, no início da carreira, conviveu com comentários sobre a própria aparência e chegou a tentar esconder uma das características que hoje mais gosta em si: o tamanho dos olhos.
“Eu dizia para os maquiadores: ‘faz alguma coisa para abrir o meu olho, quero o meu olho maior’. Eu ouvia muito que meu olho era pequeno e, por um tempo, acabei cedendo a isso.“
No vídeo acima, Marciele Albuquerque fala sobre suas raízes indígenas e relembra trajetória até se tornar cunhã-poranga do boi Caprichoso. Isabelle Nogueira também compartilha conquistas que alcançou ao longo da carreira. Confira!
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Marciele Albuquerque — Foto: Reprodução | @KaioFelipe/divulgação
A mudança aconteceu quando ela percebeu que aquela insegurança não nascia dela, mas dos padrões que tentavam impor ao seu rosto. “Chegou um momento em que pensei: isso não é algo que quero mudar. Minha mãe tem os olhos assim, minha avó, minhas irmãs também. Hoje eu penso justamente o contrário. Quero algo natural. O que eu mais gosto em mim é o meu olhar.”
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Conquistas financeiras
Fora da arena, uma das realizações que mais emocionam Marciele tem relação com a família. Após anos de trabalho, em 2024, ela conseguiu reconstruir a casa dos pais, em Juriti, município paraense às margens do Rio Amazonas, realizando uma promessa que carregava desde que saiu de casa.
A antiga residência de madeira deu lugar a um novo lar para toda a família. A emoção, no entanto, veio acompanhada de apreensão quando a casa antiga foi derrubada. “Quando derrubaram a casa, minha mãe falou: ‘Marciele, agora não tem mais volta’. Eu fiquei desesperada porque estava tudo no chão.”
Poucos meses depois, o sonho estava de pé. “Foi como cumprir uma promessa que eu fiz quando saí de casa. Eu queria dar uma qualidade de vida melhor para eles.”
E, em maio, ela dividiu com o público uma nova conquista: o imóvel próprio para ela, um apartamento que vai reformar para se mudar na sequência. “Para mim, que saí de casa, da casa dos meus pais, e sempre lutei por esse sonho, é uma das maiores conquistas da minha vida”.
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Marciele Albuquerque — Foto: Pedro Furtado/Divulgação
Cunhã-poranga
No vídeo acima, Marciele Albuquerque reflete sobre o significado do item dentro do Festival Folclórico de Parintins. Isabelle Nogueira também divide sua visão sobre a representatividade da cunhã-poranga. Dê o play e assista!
Na série Cunhãs – Além de Parintins, Marciele reflete sobre identidade, ancestralidade e o significado de representar um dos itens mais emblemáticos do festival. Para ela, a beleza associada à cunhã-poranga nunca esteve apenas na aparência.
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Marciele Albuquerque — Foto: Pedro Furtado/Divulgação
O caminho até chegar ao item começou muito antes de assumir oficialmente o posto. Apaixonada pelo Caprichoso desde a infância, Marciele chegou a Manaus para estudar — ela é formada em Administração — e trabalhar. Pouco depois, entrou para o Corpo de Dança Caprichoso (CDC), onde atuou como dançarina e também como substituta de itens oficiais.
“Eu comecei como dançarina. Fui substituta de porta-estandarte e de cunhã-poranga, mas nunca imaginei que um dia ocuparia aquele lugar.”
Criada no interior, ela conta que nunca teve referências de pessoas com uma trajetória parecida ocupando o posto. “Eu costumo dizer que esse sonho não fui eu que alcancei. Foi ele que me alcançou.”
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Marciele Albuquerque — Foto: Reprodução/Instagram
Há 10 anos, Marciele assumiu oficialmente o posto de cunhã-poranga do Caprichoso, uma mudança que considera um divisor de águas em sua vida. Uma década depois, outra experiência de grande alcance chegaria à sua trajetória: a participação no BBB 26.
“Assumir o item foi a maior virada da minha vida. E o BBB veio dez anos depois com uma grandiosidade. Não levou só a mim, levou todo mundo que estava comigo”, afirma.
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