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Postos e distribuidoras ampliam margens de lucro com diesel em até 70% com a guerra no Irã

Carro sendo abastecido em posto de combustíveis — Foto: REUTERS/Max Rossi

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Margens das empresas aumentaram, em média, mais de 30% considerando diesel S-10, diesel S-500 e gasolina comum. Apesar de novo repique, fenômeno ocorre desde 2021.

 

Distribuidoras e postos de combustíveis têm aumentado suas margens de lucro mesmo após as medidas anunciadas pelo governo para conter os efeitos do conflito no Oriente Médio e a alta do petróleo.

Nas últimas semanas, o governo anunciou a isenção de impostos federais sobre o diesel, o aumento do imposto de exportação sobre o petróleo, um incentivo financeiro a produtores e importadores (subvenção) e ações para fiscalizar o repasse dessas medidas ao consumidor.

Ainda assim, um levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) mostra que, desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, as margens de lucro dessas empresas aumentaram, em média, mais de 30% em produtos como diesel S-10, diesel S-500 e gasolina comum.

  • diesel S-500, usado principalmente por veículos mais antigos, teve alta de 71,6% no período.
  • No diesel S-10, usado por veículos mais novos, o aumento foi de 45%.
  • Na gasolina comum, a margem de lucro subiu 32,2%.

 

Os dados utilizados são do Ministério de Minas e Energia (MME), no Relatório Mensal do Mercado de Derivados de Petróleo.

Embora o movimento recente acompanhe a disparada dos preços do petróleo no mercado internacional durante a guerra, o aumento das margens de distribuidoras e postos ocorre desde 2021, segundo o Ibeps.

Na comparação com 2021, o aumento das margens de lucro é ainda maior:

  • No diesel S-500, a alta é de 238,8% no período.
  • No diesel S-10, o aumento foi de 111,8%.
  • Na gasolina comum, a margem de lucro subiu 90,7%.
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Segundo o economista do Ibeps Eric Gil Dantas, dois fatores explicam a alta das margens ao longo do tempo. “O primeiro foi a alta de preços entre 2021 e 2022, quando os derivados atingiram os maiores valores reais da história do país”, afirma.

Naquele período, a Petrobras adotava o Preço de Paridade de Importação (PPI), política que simulava o preço de importação e trouxe grande volatilidade ao mercado, com fortes reajustes — tanto para cima quanto para baixo.

Essa tendência de alta, junto com a volatilidade dos preços e a perda de referência para os consumidores, permitiu que as margens crescessem sem serem percebidas. Mas isso não acabou com o período de maior volatilidade: as margens continuaram subindo ao longo de 2023, mesmo com poucos reajustes“, explica o economista.

 

O segundo fator, diz Dantas, foi a privatização da BR Distribuidora e da Liquigás, as únicas estatais em setores altamente concentrados.

“Com isso, perdeu-se a possibilidade de manter margens mais próximas do aceitável. A BR e a Liquigás tinham grande poder para determinar essas margens e, após serem privatizadas, isso se perdeu”, completa.

Questionada sobre o aumento das margens e se o setor tende a se beneficiar de choques nos preços internacionais do petróleo, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) não respondeu até a publicação desta reportagem.

Já a Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom) afirmou que “não se manifesta sobre a formação de preços, pois essa é uma questão estratégica de cada associada, sem interferência da entidade.”

Entenda o impacto da alta do petróleo na economia brasileira

 

Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, o preço do petróleo ultrapassou US$ 100 por barril, atingindo o maior nível desde fevereiro de 2022, quando começou o conflito entre Rússia e Ucrânia.

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A alta recente ocorre porque a guerra envolve países localizados em rotas estratégicas para a produção e o transporte de petróleo e gás. O Irã controla o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo.

O fluxo na região está muito reduzido por conta do conflito. Com a menor oferta mundial de petróleo, os preços disparam no mercado internacional.

O petróleo mais caro eleva também o preço dos derivados. O diesel, combustível fundamental para a logística da economia brasileira, espalha o aumento de custos dos caminhoneiros ao valor dos alimentos, de produtos industriais e de serviços.

Na semana passada, um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicou que o preço médio do litro do diesel nos postos do país subiu quase 20% em cerca de 15 dias. O número será atualizado pela agência nesta sexta-feira (27).

Além do transporte, o agronegócio sofre com o custo de operação das máquinas agrícolas e com o encarecimento dos fertilizantes químicos, que representam parte relevante das importações brasileiras vindas do Irã.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que adubos e fertilizantes químicos responderam por 93,5% do total importado pelo Brasil do país do Oriente Médio em janeiro deste ano.

Há impacto também na produção de energia elétrica, especialmente nas termelétricas, que geram energia a partir de combustíveis e costumam ser acionadas em períodos de seca, quando os reservatórios das hidrelétricas ficam mais baixos.

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