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Governo Lula anuncia socorro de R$ 18,5 bilhões para empresas afetadas por tarifaço de Trump

Lula anuncia novo pacote de ajuda para empresas afetadas pelo tarifaço — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

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Taxa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros vendidos para o país entra em vigor nesta quarta-feira

 

O governo Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira, data em que começa a valer o novo tarifaço aplicado pelos Estados Unidos, um socorro de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para atender as empresas brasileiras afetadas pelas tarifas e pelas incertezas do cenário internacional.

A taxa adicional de 25% adotada pelo governo Donald Trump deve atingir 15% da pauta exportadora do Brasil para solo americano ou US$ 5,8 bilhões, considerando o volume de 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Além das empresas afetadas pelo tarifaço, a linha de socorro irá atender:

  • Empresas prejudicadas por conflitos internacionais, especialmente aquelas que exportam para países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã.
  • Setores considerados pelo governo como estratégicos para a balança comercial e para a segurança produtiva do país, entre eles fertilizantes, minerais críticos e estratégicos, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis, automotivos, equipamentos eletrônicos, máquinas e materiais elétricos.

 

‘Decisão abrupta’

 

Ao discursar no evento, Lula disse que o Brasil não irá sair da mesa de negociações, mas afirmou que não houve reciprocidade por parte dos EUA nas conversas.

– Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo – disse.

Lula afirmou acreditar que o Brasil pode sair fortalecido após a medida.

– Todos nós, desde que entendemos as primeiras palavras, ouvimos a frase há males que vêm para o bem. Na política, a sociedade sempre encontra um jeito de sair mais forte. Na economia, também provamos que precisamos encontrar saídas para as crises. Estamos demonstrando, com o Brasil Soberano III, que não há crise que impeça o Brasil de continuar crescendo – disse o petista.

O presidente afirmou que o pacote de socorro demonstra que não há crise que impeça o país de seguir com a sua economia crescendo.

– Mesmo com a decisão abrupta do governo americano, de achar que a taxação que fez sem conversar com ninguém, ninguém ia achar que o mundo ia ruir. As pessoas estão aprendendo a ser mexer e conversar com outras pessoas que pareciam não saber conversar, aprendendo outros idiomas e conhecendo outras moedas” – ressaltou.

R$ 13,5 bi do Tesouro

 

Do total previsto para o chamado “Plano Brasil Soberano III”, serão R$ 13,5 bilhões de recursos do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o governo está utilizando recursos que já foram mobilizados pelo BNDES e que não foram utilizados. É um dinheiro vindo do Plano Brasil Soberano 1 e da renegociação de dívida rural.

– Os R$ 13,5 bilhões é o limite. Não necessariamente vamos usar os R$ 13,5 bilhões todo, vamos usar quando a demanda aparecer. Não se trata de um programa que já está pronto e acabado. Vamos ouvindo os setores.

Os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além de prospecção e abertura de novos mercados.

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O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que como há setores diferentes na medida, cada linha de crédito será regulamentada com requisitos diferentes. Essa regulamentação vai definir, por exemplo, a necessidade de manutenção de empregos durante o período de contratação do crédito.

– Regulamentação vai sair no curtíssimo prazo – garantiu. – Precisamos avançar em diálogos com setores para entender quais são as contrapartidas justas.

Lula anuncia novo pacote de ajuda para empresas afetadas pelo tarifaçoLula anuncia novo pacote de ajuda para empresas afetadas pelo tarifaço — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

 

Segundo o governo, as linhas de crédito terão juros de 3% ao ano, no caso de minerais críticos, a 9,80% ao ano para capital de giro para grandes empresas. São taxas subsidiadas porque os juros serão abaixo dos praticados normalmente no mercado.

– Brasil Soberano 3, além de garantir crédito para as empresas envolvidas, traz outro benefício, que é o seguro garantia para pequenas empresas – disse o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

O plano de aplicação será elaborado pelo BNDES e submetido à apreciação e à aprovação de um conselho interministerial, cuja composição e funcionamento serão definidos por decreto. O mecanismo permitirá direcionar os financiamentos conforme os impactos enfrentados por cada setor e com sua relevância estratégica para a economia e o comércio exterior brasileiro.

O auxílio às empresas atingidas é tratado como prioridade pelo governo, embora o impacto macroeconômico da medida seja considerado pequeno, e também atende aos apelos do setor privado. Segundo o ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, os setores mais prejudicados são madeira, móveis, produtos cerâmicos, máquinas e equipamentos, calçados e açúcar.

– A linha três do Brasil Soberano vai acolher não só quem já estava sofrendo pelos conflitos geopolíticos e pelas tarifas já adotadas, como também para as que vierem, como as esperadas para sexta-feira, de trabalho forçado – disse Márcio Elias Rosa, citando a nova taxa de 10% a 12,5%, que deve ser anunciada pelos EUA nesta semana e valer para mais de 60 países, incluindo o Brasil.

Segundo Elias Rosa, o compromisso feito com o representante do comércio dos EUA, Jamieson Greer, é de continuar dialogando e que a retomada da negociação pode acontecer após o dia 29, quando termina o prazo para que as mercadorias em trânsito entrem sem tarifação nos EUA.

– Mas, como disse o presidente, há muitas formas de negociação, que vai desde mensagem no Whatsapp até as reuniões formais. E isso vai voltar a acontecer. E a expectativa é que aconteça em breve.

Elias Rosa disse que a estimativa é de 1000 a 1400 empresas que poderiam reclamar recursos no Brasil Soberano 3, de um total de 2.400 empresas que exportam aos EUA.

O ministro da Fazenda havia prometido que o reforço financeiro da terceira fase do Brasil Soberano seria mais modesto que as anteriores. Na primeira versão, em agosto de 2025, o governo bancou uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para os exportadores atingidos, que, no início deste ano, foi reforçada com mais R$ 15 bilhões. O primeiro pacote também tinha medidas de alívio tributário para os afetados e a facilitação de compra dos excedentes das empresas prejudicadas pela União, estados e municípios.

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Além da expansão do crédito, os empresários ouvidos pelo governo pediram outras medidas para amenizar o impacto financeiro da política protecionista dos Estados Unidos. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) pediu, por exemplo, o aumento do percentual do Reintegra, programa que devolve parte do imposto retido ao longo da cadeia para o exportador.

Já a Associação Brasileira das Indústrias Calçadistas (Abicalçados) solicitou maior proteção dos produtores nacionais frente à inundação de importados asiáticos, principalmente via salvaguardas comerciais.

Na cerimônia no Palácio do Planalto, Lula também sancionou uma lei que liberou R$ 15 bilhões, o “Brasil Soberano 2”.

Nova tarifa

 

A nova etapa do Brasil Soberano foi desenhada para atender também empresas que sejam afetadas pela provável nova tarifa de 12,5%, relacionada à investigação sobre falhas em barrar a entrada de importações fabricadas com trabalho forçado.

Segundo Elias Rosa, a expectativa de que a decisão relativa ao trabalho forçado deve ser aplicada de maneira “universal” para todos os setores. No entendimento do governo brasileiro, essa tarifa visa a substituir a taxa global adotada em fevereiro, após a Suprema Corte dos EUA suspender o tarifaço baseado em leis de emergência.

– Nós reivindicamos que não haja cumulatividade com a seção 301 da semana passada. Há uma indefinição. A tendência que não haja lista de exceção, mas esperamos que não haja cumulatividade, senão nossa tarifa vai para 37,5%, mas esse cenário é absolutamente indefinido.

O embaixador Mauricio Lyrio, secretário do Ministério de Relações Exteriores, afirmou que as consultas à Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre o tarifaço terão que ser renovadas. Já foram feitas solicitações no ano passado, após as primeiras taxações de Donald Trump, mas como os argumentos da taxação mudaram, o processo terá de ser reiniciado.

– Está sendo avaliado pelo governo e deve ser tomada uma decisão em breve. Óbvio que também estamos esperando o anúncio da nova tarifa (trabalho forçado). Teremos melhor condição de avaliar sobre solicitação de solução de controversas na OMC – disse.

O socorro a cada tarifaço

 

  • Agosto de 2025

 

Brasil Soberano – programa foi lançado na esteira do tarifaço de 50% anunciado por Donald Trump no ano passado, com orçamento de R$ 30 bilhões

  • Março de 2026

 

Brasil Soberano 2 – Governo criou segunda versão do programa com linha de R$ 21 bilhões, dos quais R$ 15 bilhões são oriundos do Tesouro e R$ 6 bilhões do BNDES. O foco era atender empresas afetadas pelo tarifaço e também pelo conflito entre EUA e Irã

  • Julho de 2026

 

BNDES pede a liberação de R$ 7,15 bilhões da parcela de recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), administrado pelo Tesouro Nacional, para reforçar o caixa do Brasil Soberano 2

  • 22/7/2026

 

Entra em vigor nova tarifa de 25% de Trump sobre produtos brasileiros. Governo lança Brasil Soberano 3 com R$ 18,5 bilhões, dos quais R$ 13,5 bilhões são recursos do Tesouro. O restante virá do BNDES

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