Relato de moradora expõe o terror imposto por criminosos em áreas dominadas pelo tráfico no Rio; famílias vivem sob ameaça e silêncio após o fim das UPPs.
O drama de uma família do Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, escancara o cenário de medo e vulnerabilidade enfrentado por moradores de regiões sob domínio do tráfico. Uma mulher, que pediu anonimato por segurança, contou que precisou fugir às pressas com os filhos depois que um dos líderes locais declarou que a filha dela, de apenas 10 anos, seria “sua mulher”.
“Fingimos que íamos levar as crianças pra escola e nunca mais voltamos. Deixamos casa, móveis, tudo o que tínhamos. Foi fugir ou perder minha filha”, relatou a mãe em um vídeo que circula nas redes sociais.
Segundo ela, o clima de terror se intensificou após o fim das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), quando o controle das facções voltou a se consolidar nas comunidades. “Vivemos numa ditadura do medo. Meninas somem, famílias desaparecem, e ninguém tem coragem de denunciar”, afirmou.
A mulher disse ainda que, desde a fuga, enfrenta dificuldades financeiras e vive escondida em outro município, tentando recomeçar. “Perdemos tudo, e o pior é que não temos a quem recorrer. Onde estão as ONGs e os grupos de direitos humanos nessas horas?”, questionou, em tom de desabafo.
O caso evidencia a ausência do Estado e a fragilidade da proteção social em territórios controlados pelo crime, onde leis paralelas se sobrepõem à justiça e o medo dita as regras.












