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‘Virou um rio’: câmeras registram como avenida no Capão Redondo foi engolida em dez minutos pela água

Alagamento da última sexta-feira (16) Avenida Ellis Maas, no Capão Redondo — Foto: Reprodução

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Comerciante conta que mudou a loja para um novo ponto recentemente, acreditando estar em um local mais protegido das cheias que castigam a região há anos mas, mesmo assim, teve o estabelecimento inundado

 

Quem observa as imagens das câmeras de segurança da Avenida Ellis Maas, no Capão Redondo, tem a dimensão exata do pânico vivido por moradores e comerciantes na última sexta-feira (16). Os registros de dois ângulos diferentes mostram uma transformação assustadora: o que era uma chuva de verão habitual às 17h01 se converteu em uma corredeira violenta capaz de arrastar veículos pesados às 17h12.

No vídeo, às 17h02, o asfalto está apenas molhado e pedestres ainda transitam pela calçada. Apenas dois minutos depois, às 17h04, a água barrenta já cobre o meio-fio e começa a lamber a entrada das lojas. O desespero aumenta visivelmente entre 17h06 e 17h08, quando a enxurrada ganha força e volume, invadindo os estabelecimentos.

Às 17h12, a avenida desaparece por completo: as imagens mostram a via transformada em um rio caudaloso, carregando lixo, destroços e arrastando um SUV preto que flutua impotente diante da força da correnteza.

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Alagamento da última sexta-feira (16) Avenida Ellis Maas, no Capão Redondo
Alagamento da última sexta-feira (16) Avenida Ellis Maas, no Capão Redondo — Foto: Reprodução

Liliane dos Santos, de 42 anos, assistiu tudo de dentro de sua loja de bolos. Ela havia mudado o comércio para aquele ponto recentemente, acreditando estar em um local mais alto e protegido das cheias que castigam a região há anos. A falsa sensação de segurança, no entanto, foi quebrada pela visão da água subindo rapidamente, impulsionada pelo transbordamento de um córrego localizado acima da avenida.

— Eu estou na região aqui há sete anos, já passei por alguns alagamentos, mas nunca nessa proporção, nunca. Tanto é que a minha loja era do outro lado da rua, do lado da farmácia, e lá já entrou água, mas era um fio de água, assim, nunca tive prejuízo nenhum lá, nunca. E eu mudei para um espaço um pouco maior e onde era mais alto, do outro lado da rua.

Então, assim, eu achei que eu estava segura, tanto é que eu não tenho comportamento na loja, mas realmente eu achei que estava tudo bem — conta a comerciante

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Liliane conta que a força da água não deu chance de reação. Mesmo não tendo perdido os equipamentos de refrigeração por muito pouco, o trauma daquela tarde permanece. Para quem vive ali, a chuva deixou de ser apenas um fenômeno meteorológico para se tornar um sinal de alerta iminente.

— Tudo vira um rio, de uma altura de uns três metros. Assim, é muito, é muito alto. Muita coisa sendo arrastada pela correnteza, mas quando eu vi passar quatro carros boiando, arrastados com velocidade, foi desesperador — finaliza.

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