A atual safra de soja tem acendido um sinal de alerta entre produtores mato-grossenses. Com a instabilidade no mercado, custos elevados e clima irregular em algumas regiões, as margens de lucro vêm ficando cada vez mais apertadas. Em várias propriedades, o cenário já é de preocupação.
Um produtor rural de Mato Grosso relatou que, ao colocar todos os gastos na ponta do lápis — incluindo insumos, sementes, defensivos, fertilizantes, maquinário, mão de obra e arrendamento — o custo total por hectare chega a aproximadamente 64 sacas de soja. O número é considerado elevado e pressiona ainda mais a rentabilidade, principalmente em um período de preços voláteis e produtividade incerta.
Segundo ele, qualquer variação negativa na produtividade pode comprometer totalmente o resultado da safra. “Se a lavoura não alcançar um rendimento acima de 65 ou 70 sacas por hectare, o produtor praticamente trabalha no zero a zero. E se o preço cair mais, o prejuízo é quase inevitável”, afirmou.

Além dos custos operacionais, produtores citam que fatores como atraso nas chuvas, pragas resistentes e o aumento geral dos preços dos insumos têm impactado diretamente o planejamento para a safra. Muitos já avaliam estratégias para reduzir gastos, renegociar contratos ou ajustar o pacote tecnológico para tentar equilibrar as contas.
O cenário reforça a preocupação do setor produtivo, que depende de boas condições de clima e mercado para garantir viabilidade econômica. Enquanto isso, o produtor rural segue atento às oscilações do mercado, torcendo por uma colheita favorável e por preços que permitam fechar a safra no azul.

















