O avanço do conflito no Oriente Médio acendeu um alerta para os produtores de soja em Mato Grosso. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), no boletim semanal divulgado ontem, a instabilidade na região pode impactar diretamente a aquisição de fertilizantes para a safra 2026/27.
Segundo o instituto, embora os maiores efeitos imediatos recaiam sobre os fertilizantes nitrogenados — mais utilizados na cultura do milho —, há preocupação crescente com os fosfatados. Em 2025, cerca de 58,91% das importações desse tipo de insumo feitas pelo Estado tiveram origem no Egito e em Israel, áreas diretamente ligadas ao cenário de tensão.
Até o mês passado, os produtores mato-grossenses já haviam adquirido 44,43% do volume total de fertilizantes necessários para o próximo ciclo, índice 13,33 pontos percentuais superior ao registrado no mesmo período da safra anterior. Apesar do avanço nas compras, ainda há uma parcela significativa em aberto, o que aumenta a exposição do setor às oscilações do mercado internacional.
O período mais crítico deve ocorrer entre o segundo e o terceiro trimestres do ano, fase em que tradicionalmente se concentra o pico das importações de fosfatados. Caso o conflito se prolongue, produtores que optarem por adiar as aquisições podem enfrentar maior volatilidade nos preços, além de possíveis gargalos logísticos e aumento nos custos de frete marítimo.
Com os insumos representando cerca de 45,12% do custo de produção da soja, uma eventual alta nos fertilizantes pode levar à redução do investimento tecnológico nas lavouras, impactando diretamente o potencial produtivo da próxima safra.

















