Estimativa do Imea aponta retração na área plantada e queda de produtividade diante de preços em baixa e condições climáticas adversas.
A safra de algodão 2025/26 em Mato Grosso começa sob forte pressão, marcada pela combinação de desafios climáticos e aumento nos custos de produção. Produtores relatam preocupação com a irregularidade das chuvas nas primeiras semanas da temporada, fator que tem dificultado a preparação das áreas e comprometido o cronograma ideal de plantio.
O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou, nesta segunda-feira (1º), sua mais recente análise sobre a safra de algodão 2025/26 no estado. De acordo com o relatório, a área destinada ao cultivo deve somar 1,43 milhão de hectares, representando uma redução de 1,74% em relação ao mês anterior e queda de 7,28% na comparação com o ciclo passado. O Imea atribui parte desse recuo ao aumento dos custos de produção e à desvalorização dos preços da pluma, fatores que têm levado produtores a reavaliar o plantio da cultura.
De acordo com técnicos e consultores, a instabilidade climática observada desde o início do ciclo afeta diretamente o desenvolvimento inicial da cultura, que exige umidade adequada para garantir boa germinação e vigor das plantas. Em algumas regiões, o excesso de calor associado a precipitações mal distribuídas tem exigido manejo mais intensivo, elevando ainda mais os gastos no campo.
Além do clima, o custo de produção segue sendo um dos principais gargalos. Itens como defensivos, fertilizantes e operações mecanizadas registram alta, pressionados pela volatilidade cambial e pela elevação do preço de insumos importados. Com isso, margens ficam apertadas e muitos produtores redobram a atenção no planejamento financeiro da safra.
Mesmo diante das adversidades, o setor segue apostando na resiliência da cotonicultura mato-grossense, conhecida pela alta produtividade e eficiência tecnológica. A expectativa é de que a regularização do clima nas próximas semanas e o bom manejo das lavouras possam minimizar perdas e garantir um ciclo mais equilibrado.
Ainda assim, o cenário exige cautela. Especialistas reforçam que a safra 25/26 será decisiva para medir o impacto real das mudanças climáticas e dos custos crescentes sobre a produção estadual, que permanece líder nacional e peça fundamental na cadeia têxtil brasileira.

















