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Brasileiros ficam fora do Mr. Olympia por problema no visto: “Mais difícil que a vaga”

Livinho no palco do Arnold Classic Brasil 2026 — Foto: Giba Jr./Equipe Alpha/Musclecontest

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Manuel Ângelo, Johnne Sousa, Livingstone Livinho e mais atletas do país classificados não tiveram entrada nos EUA autorizada a tempo para a disputa da “Copa do Mundo” do fisiculturismo

 

A classificação foi conquistada nos palcos, mas o sonho de disputar a Copa do Mundo do fisiculturismo está sendo adiada para alguns brasileiros por um fator que foge ao esporte: o visto norte-americano. Ângelo Marques é um dos atletas brasileiros qualificados, mas o fisiculturista não teve a entrada nos EUA autorizada a tempo para a disputa do Mr. Olympia 2026, em Las Vegas, mesmo possuindo um processo ativo antes até de conquistar a vaga no torneio.

Atleta da Classic Physique, Ângelo nutria esperanças de que sua liberação poderia sair até a última terça-feira (22), véspera da pesagem oficial da categoria, mas a resposta não veio a tempo. Com isso, o brasileiro teve sua estreia no principal torneio do mundo da modalidade adiada pela segunda vez, já que ele também conquistou a vaga para a edição de 2025 e não pôde competir pelo mesmo motivo.

— Essa é a minha segunda classificação. Acabou que eu não consegui ir para o Mr. Olympia 2025 por causa do visto, que foi negado. Aí esse ano tive minha segunda classificação e novamente o problema do visto. Está mais difícil para mim tirar o visto do que conquistar a vaga. Tinha que ser o contrário, mas tudo bem — desabafou Ângelo em entrevista ao ge.globo.

Ângelo Marques, atleta brasileiro da Classic Physique classificado ao Mr. Olympia 2026 — Foto: Reprodução/Redes sociais

Ângelo Marques, atleta brasileiro da Classic Physique classificado ao Mr. Olympia 2026 — Foto: Reprodução/Redes sociais

Ângelo teve o visto de turismo negado duas vezes desde o ano passado e está há mais de seis meses tentando o visto de atleta. Porém, o processo para tal liberação é mais demorado, demanda a análise de uma extensa pilha de documentos e, por isso, ele não conseguiu marcar a entrevista no Consulado norte-americano até agora.

Preparado para viajar

 

Apesar de viver essa situação de incerteza, com o processo atual correndo desde janeiro, o brasileiro perseguiu a classificação ao Olympia como se tivesse a autorização para entrada nos EUA já garantida. Os meses foram passando, ele conquistou a vaga ao ficar entre os 25 melhores colocados no ranking classificatório mundial da Classic Physique e começou a planejar a viagem.

Pelo segundo ano consecutivo, Manuel Ângelo não competirá por problemas com visto — Foto: Divulgação/Integralmedica

Pelo segundo ano consecutivo, Manuel Ângelo não competirá por problemas com visto — Foto: Divulgação/Integralmedica

Ângelo reservou hospedagem em Las Vegas e estava até com a mala que ganhou de presente de sua patrocinadora pronta para embarcar. Afinal, era o que ele podia fazer enquanto aguardava o trâmite do processo, que não veio a tempo. Embora sua estreia no Olympia tenha inviabilizada outra vez, frustrando todo o trabalho realizado em mais um ano, o atleta possui esperanças de que terá a questão resolvida para a edição do ano que vem.

— Eu tento focar naquilo que eu controlo. O que eu não não tenho o que fazer, jogo na mão de Deus, não vale a pena ficar depositando energia naquilo. Eu realmente fiz tudo que dava para fazer e correr atrás, as coisas na minha vida estava acontecendo como se eu já tivesse visto. A gente fica um pouco triste, sou ser humano. Normal sentir tristeza porque é meu sonho, é o ápice de onde o atleta pode chegar, o maior campeonato do mundo. A gente fica chateado porque estava pronto para viver isso, mas talvez não seja o momento. A gente só tem que aceitar, a gente não entende agora, mas futuramente talvez possa vir a entender — afirmou Ângelo.

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Ângelo Marques já estava até com a mala pronta para a disputa do Mr. Olympia 2026 — Foto: Reprodução/Redes sociais

Ângelo Marques já estava até com a mala pronta para a disputa do Mr. Olympia 2026 — Foto: Reprodução/Redes sociais

— Sei que quando quando acontecer vai ser no melhor momento possível. Então não foi hoje, ano que vem eu vou estar mais preparado ainda. Talvez eu faça uma estreia ainda melhor do que eu faria se fosse esse ano e eu tenho certeza que um dia eu vou entender o porquê cada coisa vem acontecendo. Que o visto saia porque aí eu posso começar a temporada de 2027 mais calmo, precisando só conquistar a vaga. É muito complicado você preparar para a maior competição do mundo não tendo a certeza que você vai — completou o fisiculturista.

Outros brasileiros também não conseguem visto

 

Johnne Sousa, também da Classic Physique, viveu situação semelhante à de Ângelo. Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira, Jhonninho informou que teve o visto negado por duas vezes e chegou a recorrer em ambas as oportunidades. Ele conseguiu um visto provisório, mas a confirmação sobre a autorização definitiva só sairia nesta quarta-feira (23), dia da pesagem da categoria, o que impossibilitaria sua viagem aos Estados Unidos.

Jhonne Sousa foi campeão de um evento na República Dominicana há duas semanas — Foto: Moriau Photo/Reprodução/Instagram

Jhonne Sousa foi campeão de um evento na República Dominicana há duas semanas — Foto: Moriau Photo/Reprodução/Instagram

— A gente tinha 98% de chance do visto sair, certeza é que conseguimos um visto provisório. A previsão pra sair seria lá para quarta-feira, que já é o dia da pesagem. Pelo trâmite, não teria como a gente chegar a tempo. Como previsto, vamos encerrar a temporada de competições e agora vou cuidar da parte da saúde, que é muito importante após os campeonatos — disse Jhonninho.

Outro atleta da Classic Physique que passou pelo drama da incerteza foi Livingstone “Livinho”. Assim como Ângelo, ele se classificou para as duas últimas edições do Mr. Olympia, mas não conseguiu autorização do Consulado norte-americano para viajar em nenhuma das ocasiões. Inicialmente, ele solicitou o visto B1/B2, voltado a turismo e negócios, m

as teve o pedido negado em cinco oportunidades, sob alegação de falta de comprovação de vínculo com o Brasil e incompatibilidade entre o motivo da viagem e o tipo de visto solicitado.

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Livinho no palco do Arnold Classic Brasil 2026 — Foto: Giba Jr./Equipe Alpha/Musclecontest

Livinho no palco do Arnold Classic Brasil 2026 — Foto: Giba Jr./Equipe Alpha/Musclecontest

Neste ano, Livinho voltou a garantir a vaga após vencer o Arnold Classic Brasil, em abril, e o Musclecontest Brazil, em julho, e preparou um documento com mais de 500 páginas para tentar obter o visto de atleta. Ele precisou aguardar até esta quarta-feira, véspera da competição, para ter uma resposta. Em suas redes sociais, Livinho explicou que conseguiu avançar com o pedido do novo visto e que a solicitação deve ficar pronta ainda neste ano. No entanto, não conseguirá disputar o Mr. Olympia mais uma vez.

— O visto de atleta é um visto certo. Vocês vão me ver competindo nos Estados Unidos. Se Deus quiser esse ano ainda, só estamos no aguardo de liberarem. Mas, infelizmente, eu não vou estar no Olympia. Nós começamos a ver esse visto muito antes, tinha realmente ali um prazo hábil para poder consegui-lo. Eu fiz tudo que estava ao meu alcance, não deixei nada pra trás. Eu tinha certeza absoluta que estaria no Olympia desse ano, mas infelizmente acontecem algumas coisas que fogem do nosso alcance — contou Livinho.

A disputa da Classic Physique no Mr. Olympia 2026 acontecerá nesta sexta-feira (25), com prévias acontecem a partir de 13h30 (horário de Brasília) e finais às 22h. Sem Ângelo, Jhonninho e Livinho, o Brasil terá quatro representantes na categoria, incluindo Ramon Dino, que é o atual campeão e um dos favoritos ao título deste ano.

Situação se expande a mais brasileiros

 

O problema dos vistos tem impactado diversos fisiculturistas classificados para o Mr. Olympia nos últimos anos. Antes dos três casos citados na Classic Physique, as duas representantes brasileiras da categoria Figure, Beatriz Almeida e Saionara Rebelo, anunciaram que não participariam da competição neste ano após terem os pedidos de visto negados pelo Consulado norte-americano. Com isso, o Brasil não terá representantes na divisão.

Josy Alves, uma das 23 brasileiras classificadas para a disputa da Wellness no Mr. Olympia 2026, também não irá pelo visto não ter sido aprovado. O Brasil é a maior potência da categoria, que surgiu no Rio de Janeiro em 2005 e possui uma hegemonia do país desde que estreou no Olympia, há cinco edições.

O problema do visto também afeta atletas de outros países. O iraniano Hadi Choopan, campeão do Mr. Olympia em 2022, não participará da edição deste ano após não conseguir o visto americano. Ele anunciou no fim de agosto que precisaria viajar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para participar da entrevista na Embaixada dos EUA, mas recebeu a informação de que seu documento de residência nos EAU havia sido desativado, em meio ao contexto de conflito entre os Emirados e o Irã.

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