Motoboy registrou animal mordendo uma garrafa plástica em lagoa na Alemoa, em Santos. Biólogo alerta que lixo e alimentação humana ameaçam os jacarés.
Um jacaré viralizou após ser filmado mordendo uma garrafa plástica em meio ao lixo em uma lagoa em Santos, no litoral de São Paulo. As imagens foram captadas pelo motoboy Luiz Fernando Vaz, que, já havia repercutido nas redes sociais após registrar um dos animais com uma sacola plástica presa ao corpo.
Os vídeos foram gravados na lagoa localizada na Avenida Engenheiro Augusto Barata, no bairro Alemoa. No Instagram, o novo conteúdo já ultrapassou 140 mil visualizações.
Na nova filmagem, Vaz afirmou que reconheceu o jacaré que estava com a sacola presa ao corpo e jogou uma esfirra de frango para o animal.
“E aí, molequinho! Chega para comer uma esfirra. Brota, meu parceiro“, diz o motoboy.
Ao se aproximar do alimento, porém, o jacaré acabou mordendo uma garrafa PET e ficou com lixo na boca. “Isso que é triste. Olha o desespero que esse bicho vive”, comentou Vaz no vídeo.
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Jacaré viraliza após morder garrafa plástica e ficar com lixo na boca em lagoa de Santos — Foto: Luiz Fernando Vaz
A Prefeitura de Santos afirmou que a área faz parte do Porto Organizado e, portanto, é de responsabilidade da Autoridade Portuária de Santos (APS). A APS, por sua vez, informou que o local onde fica a lagoa não faz parte da poligonal do Porto de Santos e não está sob sua jurisdição (veja os posicionamentos completos adiante).
Motoboy e os jacarés
Vaz contou ao g1 que conhece os jacarés da região há cerca de 15 anos e costuma passar pelo local quase toda semana. Segundo ele, antes da instalação das grades, era possível retirar parte do lixo acumulado na lagoa.
“Já tirei lixo de lá de dentro, como garrafas e marmitas. Agora, com a grade, não tem mais como fazer isso. É jacaré mordendo garrafa, com sacola presa ao corpo… É muito lixo que fica ali”, afirmou.
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Jacaré vivem em meio ao lixo em lagoa de Santos — Foto: Luiz Fernando Vaz
Para o motoboy, a situação dos animais provocou sentimentos diferentes. Ele disse ter pena dos jacarés, mas também sentiu revolta com a quantidade de lixo no local.
“É uma judiação isso. Ao mesmo tempo, sinto uma certa revolta, porque você vê o descaso do poder público“, disse.
Prefeitura e APS
Em nota, a Prefeitura de Santos afirmou que a área faz parte do Porto Organizado e, portanto, é de responsabilidade da Autoridade Portuária de Santos (APS).
A Autoridade Portuária de Santos afirmou que a área onde fica a lagoa não faz parte da poligonal do Porto de Santos e não é área de sua jurisdição.
A autoridade informou ainda que é responsável pela Avenida Augusto Barata, onde instalou lixeiras e uma grade para impedir o acesso à lagoa. Segundo a APS, a medida tem como objetivo evitar tanto a saída dos jacarés para a via quanto a presença de pessoas no espaço.
A Autoridade Portuária afirmou que, apesar das medidas, pessoas continuam descartando lixo e marmitas na lagoa e no entorno.
A APS orientou que as pessoas não se aproximem nem alimentem o jacaré. Caso seja identificado algum risco ao animal, a recomendação é acionar a Guarda Portuária pelo telefone (13) 3202-6570, para que a equipe acione a Polícia Ambiental.
Alimentando os jacarés
O biólogo Eric Comin explicou que alimentar jacarés na natureza pode alterar o comportamento dos animais, fazendo com que eles associem a presença humana à comida e aumentando o risco de aproximação com áreas urbanas.
“Não podemos tratar ou alimentar jacarés na natureza porque isso altera o comportamento selvagem do animal, fazendo com que ele associe humanos a comida e se torne perigoso”, explicou.
Segundo o especialista, a oferta de alimentos também pode fazer com que o animal deixe de buscar presas no ambiente, interferindo no equilíbrio natural do ecossistema. Ele ressaltou que tratar animais silvestres sem autorização constitui crime ambiental no Brasil.
Jacaré foi flagrado com sacola plástica presa ao corpo em lagoa de Santos. — Foto: Luiz Fernando Vaz
Comin, porém, reforçou que os jacarés não vivem em meio ao lixo por escolha. Segundo ele, o crescimento urbano desordenado destruiu parte do habitat natural desses animais, fazendo com que eles se adaptem a rios, canais e lagoas intensamente poluídos.
“Apesar de serem animais resistentes, a convivência forçada com resíduos urbanos representa uma ameaça à espécie e pode levar à extinção local”, complementou.
Entre sacolas e garrafas
O g1 publicou a primeira reportagem sobre o caso em maio deste ano, após Luiz Fernando Vaz registrar um jacaré com uma sacola plástica presa ao corpo na mesma lagoa.
Na ocasião, o motoboy contou que havia parado durante uma entrega para observar os animais e ficou impressionado ao perceber a sacola presa ao corpo de um deles.
“É muito triste, a sacola no pescoço do bicho […] no meio do lixo“, comentou Vaz à época.











