Morador de Portugal encontrou documento da modelo entre livros da estante de um apartamento alugado
Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, falou pela primeira vez nesta terça-feira, 6, após o passaporte da filha ser encontrado no interior de um apartamento em Portugal. A informação da existência do documento foi comunicada primeiramente por um portal de notícias brasileiro, antes que a família fosse avisada. Sônia lamentou que esteja vivendo, mais uma vez, a dor de ter o nome de sua filha em evidência.
“Em relação à matéria publicada ontem sobre o passaporte da minha filha, que acabou viralizando, tudo o que tenho a dizer, neste momento, vem de um lugar de profunda dor e exaustão emocional. Dói constatar que ainda existam profissionais da imprensa que escolham ignorar a sensibilidade, a ética e a responsabilidade, deixando de investigar os fatos com seriedade e de publicar uma matéria honesta e verdadeira. Aprendi, da forma mais dura possível, que não se pode esperar humanidade, respeito ou atitudes profissionais de pessoas pequenas diante de uma dor que elas nunca precisaram sentir”, lamentou.
O passaporte de Eliza Samúdio — Foto: reprodução/portal leo dias
Em um desabafo emocionado, Sônia afirmou que a filha está morta, e dói ver a imagem da modelo ser exposta de maneira irresponsável por alguns veículos de comunicação. Ela falou que cada vez que uma novidade sobre a filha surge, reabre uma ferida nela e nos familiares:
“Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma. Ela carrega uma saudade que aperta o peito, que sufoca, que nunca descansa. E, mesmo assim, dói ainda mais ver a imagem da minha filha sendo usada como se fosse um instrumento para gerar audiência, dinheiro e fama. Cada exposição desnecessária reabre a ferida, aumenta o vazio e transforma a saudade em revolta. Minha filha tinha uma história, sonhos, um sorriso, e não pode ser reduzida a uma manchete fria”.
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A mãe de Eliza não confirmou a veracidade do documento e alegou que ainda há muitas lacunas em toda história sobre o documento que veio à tona na última segunda-feira, 5. A princípio, a família acreditava que todos os documentos da jovem haviam sido queimados quando ela foi assassinada. O passaporte foi entregue ao consulado brasileiro em Lisboa por um inquilino do imóvel, que disse tê-lo achado em uma estante, em meio a alguns livros.
“A história divulgada está cheia de lacunas, coincidências e pontos que não se encaixam. Não acredito que tudo tenha acontecido de forma aleatória. Há fatos mal explicados, perguntas sem respostas e uma condução que apenas amplia a angústia de quem já vive um luto permanente. Essas lacunas não são detalhes — elas pesam, machucam e gritam por esclarecimento”, continuou.
Eliza desapareceu em junho de 2010, e investigações da Polícia Civil do Rio revelaram que ela foi assassinada por ordem de Bruno Souza, então goleiro do Flamengo, de quem engravidou. Sônia prefere o silêncio neste momento e afirmou que exigira das autoridades todas as respostas que ainda faltam sobre o passaporte.
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“Neste momento, escolho me manter em silêncio para tentar sobreviver à saudade, para tentar respirar em meio à dor e preservar o pouco de paz que ainda consigo reunir para mim e para minha família. Mas tenham certeza: vou exigir das autoridades todas as respostas que ainda não foram dadas. Essa é uma história marcada por muitas lacunas, e elas precisarão ser esclarecidas, porque minha filha merece respeito, verdade e justiça”.
De acordo com o Portal Leo Dias, o consulado comprovou a autenticidade do documento, que está em boas condições e foi expedido em 2006. O passaporte traz apenas um registro de entrada em país estrangeiro, feito em 5 de maio do ano seguinte, justamente em Portugal. Não há carimbo de saída ou de chegada a outro país — algo que surpreende, já que ela voltou ao Brasil e, segundo sua família, ainda retornou à Europa em 2008 e 2009 para acompanhar partidas de futebol. Na época, Eliza deu entrevistas nas quais disse que viajava ao continente para se encontrar com o jogador português Cristiano Ronaldo.
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