Prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio e bronze em Paris 2024, atleta maranhense, que se formou na escola em dezembro do ano passado, atinge a maioridade neste domingo, dia 4 de janeiro
Uma medalha de prata aos 13 anos de idade. O Brasil – em quarentena devido à pandemia da Covid-19 – sintonizado nas imagens que chegavam da pista de skate nas Olimpíadas de Tóquio. Para o grande público, naquele dia 26 de julho de 2021, surgia a “fadinha” Rayssa Leal – que aos 7 anos já havia viralizado sobre um skate, fantasiada de fada (relembre aqui). A vida da maranhense mudou para sempre desde então. Ganhou títulos, status de estrela, outra medalha olímpica, patrocinadores, fãs e se tornou uma celebridade do esporte. Parece que foi “ontem”, mas o fato é que a menina cresceu e, neste domingo (04), completa 18 anos de idade.
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– A Rayssa é a Rainha do skate, não tem como. A evolução de manobras e a evolução como ser humano são impressionantes. Ela virou um ícone do skate. Podemos descrever o skateboard brasileiro e mundial como antes da Rayssa e depois da Rayssa. Ela, com certeza, trouxe visibilidade, respeito não só para o skate, mas para o skate feminino. Ela conseguiu levar o skate feminino junto com a atitude e com o estilo, isso é demais. Podem esperar, ainda tem muita história a ser escrita – comentou Geninho Amaral, skatista e comentarista do esporte na “TV Globo”.
O apelido de infância ficou para trás. Surgiram novos hobbies, paixões, manobras, sonhos, objetivos. O ge conta um pouco do amadurecimento da atleta, que chega à maioridade com uma lista de títulos tão relevantes que poderiam pertencer à uma veterana.
A prata olímpica na capital japonesa foi a responsável por alçar Rayssa Leal às páginas mais importantes do Brasil em Olimpíadas. Ela, que se tornou a atleta mais jovem do país a subir ao pódio em uma edição dos Jogos, empilhou troféus. No currículo estão o bicampeonato do X Games (Chiba 2022 e 2023), dois outros no Mundial da World Skate (além de uma prata e um bronze), o tetracampeonato da SLS, a Liga Mundial de Skate Street (2022 a 2025) e a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santiago 2023.
Em Paris 2024, em uma versão bem diferente de Tóquio, por estar diante da pressão de uma apresentação bem-sucedida e suscetível às críticas dos “haters” nas redes sociais, terminou com a medalha de bronze. Um feito enorme. E um alívio. Meses depois, admitiu ter sentido medo de decepcionar.
Explosão nas redes sociais
O fenômeno “Fadinha do Skate” explodiu com a exibição nas pistas de Tóquio. A modalidade estreante da edição apresentou uma menina sorridente e simpática em meio à disputa por um seleto lugar na galeria dos primeiros medalhistas do esporte nas Olimpíadas.
Conhecida no nicho, a fã da veterana Letícia Buffoni “furou a bolha”. Iniciou as Olimpíadas com cerca de 600 mil seguidores e ultrapassou a casa dos cinco milhões no dia posterior à prata. Hoje, em sua conta no Instagram, há 8.5 milhões de seguidores – dentre eles, astros brasileiros e mundiais.
-Todos os pontos e evolução da carreira da Rayssa são impressionantes, tanto como skatista, mas como mulher também. É uma coisa impressionante você ir para uma olimpíada completamente diferente, primeira vez do skate, um ano depois de uma pandemia. E ela traz alegria para um mundo inteiro. Isso é único, eu nunca vi. Eu ando de skate há 40 anos, competi o mundo inteiro e nunca vi isso. A gente nunca viu uma coisa dessa de estourar a bolha do jeito que foi, de todos os brasileiros se sentirem representados num momento muito difícil. Ela trouxe esperança ali – completou Geninho.
Sai o apelido, entra o nome 🧚
A alcunha de “Fadinha do Skate” acompanhou Rayssa Leal dos 7 aos 15 anos. Após dois anos de Tóquio, a debutante decidiu aposentar o apelido infantil e, inclusive nas entrevistas, começou a pedir para ser chamada pelo nome.
– Eu prefiro Rayssa Leal. Era muito pequenininha, sete anos… Faz as contas… Eu fico feliz porque ele me ajudou bastante, aquele vídeo que a minha mãe gravou me ajudou bastante a chegar aqui onde eu estou hoje, vai ficar pra história esse meu nome, mas eu prefiro que me chame de Rayssa Leal – declarou a maranhense, na época em que completou 15 anos.
A agenda de “gente grande” não permitiu que a celebração acontecesse no mês do aniversário. A festança foi realizada em fevereiro, em sua cidade natal, Imperatriz (MA), com a presença do cantor de rap L7nnon.
Profissional “de verdade”
No mundo do skate, um atleta é reconhecido como parte do alto escalão profissional a partir do momento que tem seu próprio “Pro Model”, ou seja, um shape de skate personalizado. Mas se engana quem pensa que é uma tarefa simples. Para conseguir o feito, o atleta tem que ser reconhecido por uma marca especializada de skate e ser escolhido a dedo para a honraria.
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Aos 14 anos, Rayssa foi surpreendida pela sua equipe, a April Skateboarding, do também skatista Shane O’Neal, com seu primeiro Pro Model. A peça cor de rosa com asas de fada azul foi um sucesso entre os fãs e amigos da skatista. Além disso, Rayssa tamabém lançou dois tênis personalizados junto a uma marca de material esportivo.
Paixão de “gente grande”
Da menina Fadinha à adolescência, Rayssa Leal, naturalmente, amadureceu. Viajou por outros países, conheceu outras culturas e passou a descobrir novos hobbies. Ela se encantou pelo mundo da moda. Em março de 2023, a convite do diretor criativo da Louis Vuitton, Nicolas Ghesquiere, ela prestigiou o desfile da marca, que apresentou a coleção de outono/inverno no Museu D’Orsay, em Paris, na França.
A atleta, que é embaixadora da renomada grife francesa, postou fotos do desfile nas redes sociais e foi parabenizada pela ginasta Rebeca Andrade, por Letícia Buffoni e pela capitã da seleção brasileira de vôlei, Gabi Guimarães.
Faculdade à vista
O sucesso na vida profissional, o suporte de patrocinadores, as “publis” e a consequente estabilidade na parte financeira não deixaram a estudante Rayssa Leal longe da sala de aula. Ela conciliou a escola com o calendário de competições e, no fim de 2025, concluiu o Ensino Médio, em um colégio particular de Imperatriz. A jovem foi a oradora da turma.
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Em entrevista recente ao ge, Rayssa Leal brincou ao falar sobre o Exame Nacional do Ensino Médio.
– Meus amigos estão no terceiro ano, se matando de estudar, e eu caí na questão. Eles falaram: ‘meu Deus, como é possível? Não está fazendo (o ENEM), mas está aqui com a gente’. Imagina responder uma pergunta sobre mim mesma? Nossa, ia ser doido, né? Esquisito. Aí eu ia ter obrigação de acertar, pelo menos (risos) .
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Enfim, dezoito! 🚗
A aguardada hora de completar 18 anos de idade chegou. E, ainda que estejamos em 2026, o sonho da maioridade é o mesmo dos adolescentes de gerações passadas: tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e, desta maneira, estar apta a dirigir um carro.
– Eu estou feliz, estou animada e estou com medo, é um mix de emoção muito grande, mas estou muito animada para daqui a uns meses tirar a minha carteira e dirigir meu Volvo. Por favor, gente, já sai do meio da rua que a Rayssa Leal vai estar passando – brincou a skatista, no início de dezembro.
Esta, de fato, será uma grande novidade na vida de Rayssa Leal. Ela vai trocar as quatro rodinhas pelos pneus de um automóvel em breve – mas somente nos momentos de lazer. As pistas preferidas da maranhense continuarão sendo as do skate street, onde ela tem sinal verde para executar suas manobras radicais sem moderação.











