Produtores rurais afirmam que o tratado prejudica setores agrícolas da Europa, principalmente os de carne bovina, aves, açúcar e soja.
Milhares de agricultores europeus estão em Bruxelas nesta quinta-feira (18), com centenas de tratores, para protestar contra a política agrícola da União Europeia e, particularmente, o acordo comercial com o Mercosul.
Imagens das agências Reuters e France Presse mostram os manifestantes queimando uma pilha de pneus e atirando batatas e objetos na polícia ao lado do Parlamento Europeu, na cidade belga.
Outros manifestantes quebraram uma janela do prédio Station Europe, que fica na Praça de Luxemburgo. A polícia reprimiu a manifestação, que registrou pelo menos um ferido.
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Manifestante atira pneu em fogo durante protesto de agricultores contra o acordo entre União Europeia e Mercosul em Bruxelas, em 18 de dezembro — Foto: REUTERS/Yves Herman
Os protestos acontecem enquanto os líderes dos 27 países realizam a sua última cúpula deste ano na capital belga. O encontro é considerado decisivo para uma eventual assinatura do acordo, que tem oposição liderada pela França e apoio de Itália, Hungria e Polônia.
Os produtores rurais afirmam que o tratado prejudica setores agrícolas da Europa, principalmente os de carne bovina, aves, açúcar e soja.
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Homem aparece ferido na cabeça durante protesto de agricultores contra o acordo entre União Europeia e Mercosul em Bruxelas, em 18 de dezembro — Foto: REUTERS/Yves Herman
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Confronto entre policiais e manifestantes durante protesto de agricultores contra o acordo entre União Europeia e Mercosul em Bruxelas, em 18 de dezembro — Foto: REUTERS/Yves Herman
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Manifestante em frente a pneus queimados durante protesto contra o acordo entre União Europeia e Mercosul em Bruxelas, em 18 de dezembro — Foto: REUTERS/Yves Herman
Redução de subsídios
Além da oposição ao acordo com o Mercosul, os produtores também estão protestando contra uma eventual redução de subsídios financeiros à agricultura do bloco, tema que está sendo debatido na Comissão Europeia.
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Protesto de agricultores contra o acordo entre União Europeia e Mercosul em Bruxelas, em 18 de dezembro — Foto: NICOLAS TUCAT / AFP
“A União Europeia está propondo uma redução de mais de 20% no orçamento para a próxima PAC (Política Agrícola Comum, para o período 2028-2034), enquanto continua a ratificar o acordo comercial com o Mercosul. Isso é totalmente inaceitável”, protestou a Federação Valona de Agricultura (FWA), segundo a agência RFI.
A entidade belga está presente na marcha ao lado de dezenas de outros sindicatos filiados à Copa-Cogeca, o principal lobby agrícola europeu.
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Manifestante quebra janela em prédio em Bruxelas durante protesto de agricultores contra o acordo entre União Europeia e Mercosul, em 18 de dezembro de 2025 — Foto: REUTERS/Yves Herman
A FNSEA, principal sindicato agrícola francês, disse que participaria com “mais de 10 mil agricultores”. Eles querem “exigir escolhas claras dos chefes de Estado e da Comissão Europeia para o futuro da agricultura europeia”.
Insatisfação no campo
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Manifestante atira batata em direção à polícia perto do prédio do Parlamento Europeu em Bruxelas; agricultores protestam protesto contra o acordo entre União Europeia e Mercosul — Foto: NICOLAS TUCAT / AFP
Os agricultores europeus alegam que os países sul-americanos são não cumprem com as mesmas normas ambientais e sociais às quais eles próprios estão sujeitos.
“A Comissão [Europeia] está propondo a implementação de mecanismos de controle, mas não temos muita confiança neles”, observou Hugues Falys, do sindicato de agricultores belgas Fugea, durante uma manifestação na quarta-feira no aeroporto de Liège.
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Pneus queimados durante protesto de agricultores contra o acordo entre União Europeia e Mercosul em Bruxelas, em 18 de dezembro — Foto: REUTERS/Yves Herman
“A revolta nas áreas rurais está atingindo níveis sem precedentes”, declarou a Confédération Paysanne, o terceiro maior sindicato de agricultores da França.
Na França, o surto de dermatose nodular contagiosa (DNC) intensificou ainda mais o descontentamento. A gestão da epidemia pelas autoridades, que inclui abate em massa de gado, por precaução, é fortemente criticada pelos agricultores.

















