Moradores de comunidades do Rio de Janeiro, com apoio de entidades de direitos humanos, têm recorrido a métodos improvisados — como seguir o cheiro de decomposição e a presença de urubus — para tentar localizar corpos de vítimas desaparecidas após a megaoperação policial realizada na última semana.
Segundo relatos de familiares e organizações locais, há suspeitas de que alguns mortos não tenham sido removidos das áreas atingidas pela ação, que mobilizou centenas de agentes e deixou um rastro de destruição em diversas favelas da zona norte. O clima é de medo e desconfiança: moradores afirmam que a presença policial ainda é intensa e que o acesso a certos pontos segue restrito, dificultando buscas independentes.
“Estamos seguindo o cheiro e os urubus, porque ninguém nos dá resposta“, relata uma moradora que prefere não se identificar por segurança. “O helicóptero atirava o tempo todo, e agora dizem que os corpos já foram retirados. Mas não é o que a gente vê“, completa.
Entidades de direitos humanos, como a Defensoria Pública e organizações comunitárias, denunciam a ausência de protocolos adequados de perícia e recolhimento de corpos durante e após as operações. Elas também cobram transparência nas informações sobre mortos, feridos e desaparecidos.
A Secretaria de Segurança Pública informou que as ações fazem parte de um esforço para desarticular quadrilhas armadas e que “todas as mortes ocorridas durante as operações são devidamente registradas e investigadas”. No entanto, familiares das vítimas alegam que os números oficiais não refletem a realidade nas comunidades.
Enquanto isso, o cotidiano nas favelas atingidas segue marcado pelo luto e pela busca. O mau cheiro nas encostas e vielas e a sobrevoo constante de urubus transformaram-se em guias macabros para quem tenta dar dignidade aos seus mortos — em meio ao silêncio das autoridades.
- Fonte: redação











